domingo, 3 de outubro de 2010

04:04

Na ausência do conforto, do apego, resta a dor e a vontade de atenção. Tudo ficou mais doloroso, até o vento leve da noite fria fora do quarto e os cobertores na cama menos aconchegantes que o normal. Criou-se uma confusão entre o ficar ou ir, entre adormecer facilmente ou agonizar até morrer na noite, por ela inteira. Ninguém viu e eu pedi, pedi parar que me levassem dali, onde alguém me visse, me analisasse e, fora feito. O ar não era mais o mesmo, criei o sufocamento ou ele deveras existiu? Realmente não sei. Mas o ar estava pesado, perdido dentro da caixa pulmonar preta por fumar, queria fumar, e aliviar esse vácuo todo. São uma e quarenta e cinco da manhã, e eu queria fumar, fumar, fumar! Cheguei perto de um estrangulamento, mas reagi bem. O socorro me veio, atrasado, mas veio, pensei em desistir e voltar ao aconchego inútil do cobertor sem braços.
Continuei ali sem reação alguma, tentei chorar, chorei, parei, evitei, continuei... Fui dar uma volta, uma volta intencional e mentirosa, não tão mentirosa quanto à noite. Nada passava, ninguém passava, eu estava sombria, fria e doente assim como as ruas que passavam por minha janela empoeirada. Observei pessoas a distância, eu estava distante, de mim, só a inconsciência. Fui diagnosticada por uma caixa de células mortas, há essa hora eu também estava. Comprimidos resolvem, disse ele. Mas para essa dor não são necessários comprimidos, com todo esse pandemônio, falei. Era o que me restava as quinze para três da manhã, tomar mais comprimidos sem saber se essa invasiva perseguição do mal da dor passaria, e sabia que ia passar. Voltei a sonhar, e tenho certeza de que foi acordada, por que a dor foi maior, mais intensa e consciente e profunda e dolorosa demais pr’eu suportar. O meu reduto me esperava, me deleito nele tentando fugir disso tudo que me elevei, eu durmo no momento em que o relógio manca a mesma hora, quatro e quatro.



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quarta-feira, 25 de agosto de 2010




"Quando Deus inventou o bigode colocou-o nos homens, porque mulher de bigode nem o Diabo pode."


Em homenagem, Tai.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

*


Com dois lados diferentes. Os extremos de fora fora totalmente ameaçados. Os de-dentro extremamente guardados na caixa sagrada da tristeza para nunca mais acabar.


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quinta-feira, 18 de março de 2010


Temporada LEVE
local: Centro Cultural Correios (Av. Marquês de Olinda, 262 - Bairro do Recife)
dias (quinta/sexta/sábado/domingo) 18, 19, 20, 21, 25, 26, 27 e 28 de março de 2010.
hora: 18h3o
preço único: 5,00

ENCANTADOR.


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sábado, 2 de janeiro de 2010

Partes de uma parte.

O começo disso tudo não foi nada convencional.
Parte um:
Amigos numa mesa de bar na sua constante boemia, conversas. Me chamaram para o respectivo antro habituado por eles. Certo. Vou sim, vou sim. Uma mini pessoa chamou minha atenção do nada, músicas. Eu já a tinha visto antes, mas nada demais. Emaranhada a outrem, eu, me vi em expansão, minuciosa expansão que penetrou no lugar certo, que não viera a ser de costume, mente, mente, mente. Primeira coisa que fiz foi rondar. Ah! Como eu rondei. Digam-me isso, digam-me aquilo, e basta! Deve ser coisa de minha mente. Como posso, estou emaranhada. Mas a mente que de confusa estava ficou ainda mais ao pressentir que estava certa, espertamente a mente tratou logo de se abrir, deveras abriu e fez de um pensamento a sua mudança.
Parte dois:
Investimentos. E rapidamente obteve com êxito o que esperara. Diga-me o local e a hora, sim. Estranho! É isso mesmo, uma estranheza magnificamente devastadora. Amoleci, de fato, amoleci. Fui logo contando o ocorrido ao emaranhado, peso, dúvida suprida de alivio logo após. Investimentos novamente, dessa vez sem êxito, sem pressentimento, sem ninguém.
Parte três:
A espera. Mais que castigo deplorável de um lado, e mais adiante resquício de um erro gritante das investidas. Sopro, vento e o tempo seguindo o seu percurso previsto. De um lado, a paciência se esgota, do outro, o começo da paciência advertida por errar torto. Parou! Parou tudo, o sopro, o vento e o seu tempo. De um lado, respostas, do outro, resquício de um erro ainda contido. O tempo acabou. Resposta na ponta da língua. E o relógio começa novamente, lento.
Parte quatro:
Descanso. Começo, sempre bom, o começo. Primeira, não. Segunda, bola fora. Terceira, advertência. Quarta, pensamentos. Quinta, segunda chance. A vivacidade volta de onde tinha parado estimulando ainda mais as investidas que resultou no que não fora esperado, por mim. Trocas, visões, contato, tato... Confusão. Beija, não beija, beija, não agora não, beija, não beija... Ah! Não beija então. Água, vento, água, vento e água. Impulso. Beija. Será? não, não beija, agora? não, af beija, não deixa pra lá. Línguas, palavras, conversas... Beija.
Parte cinco:
Mesmice. Amor, sexo,sexo, sexo, sexo e amor. Coisas novas, idéias novas, fantasias novas, posições novas e um gosto bom, muito bom. A troca de afagos era ótima, a troca de apegos também, os melhores que já sentir por ter sentindo em outros tempos e pode-los compará-los, o que é feio pra se colocar em uma categoria. Mas posso dizer que sim, coloquei-os em categorias, sem nenhuma resistência. Recordação eterna, ou não, só na pele. O que eu sentia começou a crescer e cada vez que isso me acontecia mais insegura eu ficava, não comigo óbvio, mas com os fatos e isso me pegou completamente mesmo amando-a. E amei ou amo, sei lá, mas foi verdadeiro.Eu o sentia, eu o via, eu o tocava, eu o ouvia, eu o provava, o amor. Sexo constante, desejos constantes. As coisas sempre são diferentes, fato, mas essa diferença era boa, era inovadora, saciável e além do mais desejosa, com gosto de mais, de sempre.
Parte seis:
Loucura. Insanidade. Impaciência. Desconfianças. E revira voltas. Não entendo ninguém entende, você entendeu?
Parte sete:
Grand Finale. Simples e rápido, feito a velox, é, isso mesmo, pelo Messenger, meu caro. Acorda, pensa, dorme, pensa. Acabou! Agora¿ Nada e tudo, ou nada e só um tico, ou nada e nada. Ou tudo e tudo, ou tudo e um tico, ou tudo e nada. Ano Novo e quem se importa?

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nem Luxo. Nem Lixo

Muié casa comigo e tu não se arrepende. Todo dia tu vai ter peixe frito enrolado numa palha de bananeira e uma lapada de água ardente, a gente vai ver o nascer e o pôr-do-sol, vamu ter uma rede pra moi da gente se balançar, fineza eu não vou poder te dar, mas meu amor tu terá é só comigo se casar. Mas se isso não for suficiente eu posso tentar, vou trabaia de manhã até de noite, tempo não vou ter pra dar, vamu comer caviar no almoço e no janta, uiski, água destilada e lalala, tu vai ter uma cama tão macia que nem o pôr-do-sol vais querer olhar e terás o meu amor mas sem tempo de gozar.



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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Como num conto, um conto que não é de fadas, ele apareceu...

E com a sua beleza discreta,
deu ao céu a luz da felicidade
deu a terra a semente do amor
deu ao mar o sal da piedade
deu ao ar o aroma da paz
deu a vida um pouco mais de vida!

Enraizou-se entre meus devaneios
Fazendo nascer suspiros de prazer
Pelo simples prazer de sentir...
Enquanto que a alma, na leveza dos pensamentos
Rodopiava saltitante, dizendo:
- Vendo alegria! Vendo alegria!

Em busca de um pouco de esperança
Atrás dos seus lindos olhos, eu fui
Como quando, a vontade de querer ir ao céu...

E foi na imensidão de toda beleza que há na terra
Que colhi todo o meu carinho...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Deixe que meu ser repouse no silêncio da solidão e respire a tinta das paredes fechadas. E que os travesseiros sejam os únicos a saberem da minha dor, com seus ouvidos de algodão, tentando decifrar meu sentimento insular.



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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pedras saltitavam no rio-mar, no interior do coliseu, tentavam sair de alguma forma de dentro dele. Eram muitas às pedras, pequenas demais para ele, mas elas não queriam saber, queriam sair. Um dia um furação se aproximou e veio arrebatando tudo existente no coliseu, até às pedras. Hoje elas estão soltas, mas completamente perdidas, acostumadas com a monotonia interna, elas, não se adaptam aos turbulentos dias iguais. Se espalham nele, se misturam com o vento e penetram em paredes de concreto fixando-se e perfurando-as.



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terça-feira, 10 de novembro de 2009

so-bre-car-ga

Faço de tudo pra eu distanciar do meu corpo, me agarro a tudo que não é matéria quando o vazio da noite me consome, fazendo um buraco onde só existe o vácuo. Sugando até as entranhas fixas no meu ser com o sucçar da dor, são crateras feitas por ela sem nenhuma piedade, tentando preencher com a minha própria ilusão. Debatendo meu corpo dentro de outros corpos, momentaneamente passageiros com uma invalidez que eu começo a julgar um fato normal, condicional. Vou me enganando e moldando a mente a cada encontro feito, e mesmo com isso atraiu seres com algum tipo de fundamento, abrigando apenas o prazer, me deliciando do próprio, me fascinando com o ato, matando os dois corpos imaturos.



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domingo, 8 de novembro de 2009

Cada um comandando a sua festa nem mais, nem menos. Cada um cantando seu som, sem agudo, sem grave. Cada um lutando sua guerra sem vitórias, sem derrotas. Todos olhando pra o mesmo umbigo, esperando algo que vem do cordão umbilical dos outros. Umbigo de flor que mexe na dor levando o tempo de novo. Ninguém engana a flor e os seus espinhos, estão ali pra isso, furar e perfurar quem tentar machucar. Ninguém engana o umbigo é por isso que se localiza no centro, e quando ele acha que achou, grudando feito imã no cordão umbilical, quando algo o machuca usa-se a tesoura é pra isso que ela serve. Tudo isso nascendo com o tempo. tic e tac que se desfaz em segundos.




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sábado, 7 de novembro de 2009

Rabisco com um singelo pseudônimo. Você não enxerga porque me encubro, mas no fundo você consegue me decifrar. Escrevo pra ti e não interessa os fatos. São personagens registrando os elementos que ao passar por você se enrusbecem, sentindo que os refletores vão se apagando a cada passo dado. Com a ilusão de um dia chegar ao sucesso, saindo ileso dos fracassos. A cena muda de imagem quando saem os artistas e cada um vai mostrando a dor que sente e morrendo com as lembranças passadas na mente ilusória dos mais fracos. Na platéia a visão é mais crua fazendo de mim um ser fragmentado de agonias, sendo o mais apto a sentar na primeira fila do seu espetáculo.



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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sinto seu perfume no olhar
Cheirando jasmim na primavera
Inalo cada odor vindo do vento
Permito que neles eu a sinta
Sem ter nenhum pudor
Reviro minhas idéias
Mudo-as a cada pensamento
Nas flores vejo você
Com duas faces inigualáveis.




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sábado, 31 de outubro de 2009

Como uma teia entrelaçando e sufocando os pulmões, vem o amor com seu veneno pingando nas suas patas, feito uma aranha que ergue seus pêlos quando vê sua vítima aproximar, querendo achar mais um para o seu deleito. No absoluto desfeche te castiga até a alma, num pequeno lugar de espaço de enxofre. A cada teia feita nasce o desejo repentino, ela sacia a presa como se fosse à última sensação sentida e olha pra ela como se nada acontecesse antes de matá-la. Com patas duras e afiadas prontas para uma chacina ela gruda, agarra e te deixa sem ar, depois ela morre com o próprio veneno, deixando litros e litros pra quem quiser.





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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Intensidade de rochas
Pedras subcolocadas a dedos
Montanhas de luz infinda
Bipolarização do ser
Fuga incessante do mundo
Interior repleto de amor
Unificação da carne
Querendo acoplar-se
Pecado igualitário
Mumificação de sentimentos
Registros do novo
Morrendo de coração
Sufocando as veias
Dilatação de sentidos
Descontrole visto a olho nu
Parada cardíaca.




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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Colisão

Braços e mentes juntos em uma única união docente. Apegos, afagos passados do tato ao sentimento, desenhados por apenas alguns dedos tocados. Na frieza do calor ao passo que passa por transmutações de afeto, rasgando o que fora costurado por questões de segundos e penetrando veia adentro dos poros que restam. A cada pigmento congelado onde nem o clarão do céu o derrete ver-se que suas partículas não detêm nenhum átomo de sentimento. Ligando a dor com o sofrimento, catalisando somente uma solidão finita, a ponto de um dia inexistir, começando outro ciclo de medo e paixão no coração do ser inativo.




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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Afrouxam-se os laços
Respiram-se os nós
Sufoca-se a matéria
Desmembrem as partículas
Equalizam-se as esferas
Regulagem de buzinas
Apertam-se os vidros
Abrem-se as narinas
Tapam os ouvidos.


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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Flores no teto decoram o meu dia, sinto não existir por apenas alguns instantes. Observo a delicadeza de cada pétala pré-existente do seu leito. O aroma hipnotiza meu olhar como se ele a cheirasse. Sumo feito um toque de mágica e meus sentidos desaparecem. Flutuo feito um pássaro perseguindo no ar o cheiro do prazer. Vazante asas frias com o céu, aterrisou em uma haste dura e frígida, eferma. Tento moldá-la com o tempo e vejo que apenas perdi um pouco do tempo de minha vida. Sinto olhares e começo a cheirar o aroma saindo dos teus olhos firmes e incertos do que vêm. Interrompo o momento com um deslize do vento de tão azul e tão puro. Você.



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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Exacerbações de sentimentos
Afagos de pele
Funcionais ao extremo
Pontes de afeto
Marcas sem vestígios
Emoções momentâneas
Complexo de desejo
Mistura de carinho e solidão.



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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

É o mal que corrói em dias de festas, deixando em pedaços as lembranças vindas com o passar do tempo, dizendo que está ali pra qualquer momento de pecado e pecando junto com cada animal, ileso a qualquer tipo de dor. Momentos baseados no prazer, desfrutando-se da carne alheia e prossegue como um ritual, satisfazendo-se do corpo, sendo objeto do gozo interior, e que ao notar degusta sem nenhum esforço, deitando-se em lençóis vermelhos, não de sangue, mas de batom. São raspas deixadas na cama imune a volta, cada dia sendo um ser diverso e continuando a pecar com todo mal existente feito de razão.



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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Penso não falo
Sinto não ajo
Escondo e encubro
Disfarço e camuflo
Não tenho e não posso
Não faço e não calo
Sobrevivo e sobressaiu
Enfim.


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Amores e Cores

Aí vem a mulata com sua saia bordada, que ela borda de dor, como quem perdeu um grande amor. Ela requebra sem dó nem piedade para que ele veja o que perdeu. Vestindo sua fantasia, encobrindo seu carnaval. Enche a cara de cachaça a cada esquina que passa, lembrando a dor de amar, sentindo o gosto amargo do desprezo no seu negro sangue, o mulato chora.


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sábado, 3 de outubro de 2009

Quero a paz dos loucos
A segurança de poucos
A certeza de viver solto
E soltar do topo
Lá embaixo despencar
Com asas a voar
Substâncias suspensas no ar
Mixagem a contornar meu corpo
Leveza de chumbo, poeira.
Aterriso no asfalto
Paro de respirar.


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

No ser do mais que de um ser humano, disparato de carne e osso, com o sangue escorrendo inteiro interno. Feito de razão sendo importante para quem pensa.


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domingo, 13 de setembro de 2009

E a luz acessa
No fim do corredor
Mostrando cada ponto luminoso
A quem quer ver
Todas as cores
Todos os tons
Fazendo reluzir solidão
E propagando desilusões (rasteiras)
Passando por brechas minúsculas
Sentimentos involuntários de desejo.




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quinta-feira, 3 de setembro de 2009





''uma luz [a esperança, a divina espera-nça], várias luzes [a humanidade per-d-d-d-d-ida]. ''
Com os olhos sinto o cheiro do teu vazio rasante. Transmutando imagens que chegam a causar arrepios. Na cor frágil da bruma pesada com a chuva. Contesto a pele profunda sem mãos ousadas. Um cronograma de efeitos. Textura colorindo a cada dia. Respostas de olhos vistos com outros olhos. Cenas e movimentos circundantes de trágicos desejos. Nos sentidos, os cincos. Sem o alegre mágico do eterno retorno. Na leveza dos risos sobre-humanos. A vontade que aflige a realidade. Enche de esponja, a espuma sugadora.


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Uma criança, com seu olhar curioso na sede da descoberta infinita, ver na simplicidade as coisas mais maravilhosas do mundo. Alimentando sua pequena alma com um pouco de esperança... vestindo-se para trilhar um caminho desconhecido e desajeitado.

domingo, 30 de agosto de 2009

Aos meus olhos, o olhar de dentro enigmático, observador das cenas despercebidas por um olhar qualquer, mastiga fugaz o balanço do mar revolto. Ao absorver, absorvo-me ao mesmo instante de tempo, como num êxtase profundo. Reconhecendo e sendo reconhecida pela natureza discreta. O exalar do cheiro da folha de papel na madrugada, faz-me recordar da pureza da minha inocência intrigada com a minha esperteza, a luz amarelada desenha ao meu redor o melodrama da vida [minha], o ar sereno e fresco acalma minha aflição desnecessária, onde o silêncio intenso reina dentro do meu monólogo, desfragmentando em grãos as asneiras que nascem dentro de um ser que usa da sua imaginação seu segundo lar. Onde, naquele determinado tempo só existe um ser na sua mais completa loucura, digerindo e saboreando suas memórias intensas. Minha alma inquieta, grita, querendo sair do corpo que a prende, em sua vontade há uma grande cobiça de sair livre-mente de braços abertos, fazendo o ar, seu protetor, seu acariciador. Fecho suavemente os meus olhos, e uso a dádiva do ser - humano, a fantasia, e vou mais além que a minha própria alma anseia.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Se na noite iluminada
Fez-se a paixão
Dúvida efêmera
Castiga por feições distintas
Básicas de resolver
Afetos contínuos com desilusões
Matérias recicláveis estagnadas
Essências noturnas
Contradições repentinas
Dúvida efêmera.



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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Existentes movimentos de ondas batendo em certas paredes de meu corpo. Neutralizando cada molécula salgada pré-extinta do mar, pelo mesmo elemento do ar. Acontecimentos impróprios de veracidade constante abrindo o caminho de passagem rápida. Rápida?
Se sentimentos são para serem sentidos, é uma definição rápida? Rápida.
Quando se é espuma não se sente o passar do ar. Careço de bolhas ondulatórias, não faço presságios do mar. É como se cada minuto descesse feito uma gota, de tão importante que é.



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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Simone

Num badalar do sino
Há cada provolone
Existe um sistema individual
Chamado Simone.




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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Era uma vez...

A puta safada, era Angela.
O canalha sem-vergonha, Mauro.


Angela, toda suja de merda reclamava dizendo:

- Quero uma vida melhor, rodeada de ouro e prata para ser feliz eternamente...

Angela, conheceu o ordinário, o cafajeste, Mauro.
Era um dia feio, com odores de lixo azedo...
Foi tudo tão feio, que eles se apaixonaram loucamente!
Mauro dizia para Angela que ia dar a vida que ela queria, casa, dinheiro, mais dinheiro. Angela sorria como nunca, seus olhos brilhavam, era a sua FELICIDADE!

Meses depois...


Angela, bichinha, morreu junto de todo o lixo da cidade, foi terrível!
Um assassinato frio. E ninguém nunca soubera quem teria feito aquilo.
Nem faziam questão, era perda de tempo, diziam as autoridades.




e Mauro, foi em busca da sua deusa, da sua musa inspiradora, do seu mais lindo e puro amor...

sábado, 15 de agosto de 2009

Mesa de bar.


Se amor fosse fácil de apagar, nenhum sentimento revelaria o tão forte desejo inesperado da dor que existe por sentir o ato do prazer, o amor.



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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Magnetismo de grande importância
Sentimentos reparados com o Sol
Uma vida vazia
Tempo tempo tempo
Atrações repentinas de universos diferentes
Insustentáveis
Braços dados com outro alguém
Dúvida, certeza.
(...) impossibilidade de sentir
O verdadeiro sentimento múltiplo
Por palavras sinceras
Bastante sinceras
Nostalgia, ilusões refletidas
Em pedaços e separadas por fragmentos
Imune a solidão
Basta!



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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Bu-n-das

A depravação do ser habitual de formas ondulatórias decorrente do sistema aderido. Povoantes bundas voadoras que teimam em acomodar-se de algum espaço deleitoso, fazendo com um órgão não muito apalpavél um instrumento regido por forças além das vontades, interagindo entre o membro e o ser a ser utilizado. No seio do deleite, mãos e braços como maestro regem o tal concerto, que na verdade desmantela o ato por não tocarem em sincronia. São visões que desafinam qualquer instrumento, e ela passa por entre notas e acordes atordoados, fazendo do som impuro e aos ouvidos surdos.



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domingo, 2 de agosto de 2009

pedra solta ao vento
escorregando sobre areia molhada
molhada do choro sofrido das meninas
ingénuas

sol, claridade, mocidade
envolta aos seus pés a folha madura
madura do choro sofrido das meninas
astuciosas

silêncio das noites que gritam suas dores
encorajando seus corações sofismado
da água, da areia, da vida

vida pujante
- a professora

qualquer coisa assim, como quando o entender não se entende;

é só não entender,

fingimento

sábado, 1 de agosto de 2009

Sintônia

De onde vem a penúria do mar
Quando o enfio do braço se faz balançar
Em meio ao nevoeiro do céu
Tendo ao seu lado um papel
A caneta seu coração
Junto a você um lampião
Tentando iluminar suas idéias
Fazendo delas impróprias
Como faz essa caminhando
À sua volta assegurando
O seu perfume ao passar
Ela o faz relembrar
Sensações impuras, coisas que não tem cura
Mas que não é pecado.

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sábado, 25 de julho de 2009

E no vilarejo residem às pedras. Muralhas difusas no canto do jardim repleto de brechas com a ilusão de espaço. Se mostrando forte pra si, quebrando paredes de mármores, isolada a certo diâmetro de polaridade sem afastamento de pés, sem penetração de luz. Difundindo dor e desejo, segredo e fascínio, amor e desespero arranhando as entranhas dos extremos do meio, parada a bordo do ventre. Anticorpos espessos em bolhas de líquido etílico, encharcada de incertezas vermelhas multiconjugais maior que seu tamanho. De repente, surge o caos do vazio no quarto com quadros pendurados, ficando na estante sentimento com estampas vibrantes rodeadas de meio fim, dando continuidade ao vazio estagnado no seu ser. Coração cheio de dor no vácuo do tempo, esperança preenchendo canhões mirados pra dentro com a incerteza de um dia voltar, voltar com pólvora, com fogo e ardendo feito alma no inferno. Sensação de contemplação, união de dois sem condições pra serem dois, mas o seu querer destrói e a vontade corrói cada veia dilatada.
Aprendendo o seu jogo sem jogador algum, jogando só, se destruindo a cada tempo jogado, jogado fora com prazeres desperdiçados, só momentos lembrados com o passado. Passando isso desejo acabado, final sem ponto no fim. O nada acaba!
Virando refém do silêncio ao desterro, causando buracos no peito que um dia fora aberto, buracos feitos com pétalas trazendo espinhos camuflados por trás das rosas, machucando, se machucando. Entulhos meros entulhos. Não se constrói sem terreno, não se constrói sem permissão. Permita-se a amar!
Isso já não mais importa quem sabe as ferrugens um dia polidas comecem a brilhar de novo, de novo, o suficiente sem ofuscar a verdadeira visão do querer. Mudanças de imagens coloridas, belas, com maçãs rosa no rosto e um olhar de paz traduzindo felicidade, pelo menos essa noite. Não se fica à toa do lado sem lados opostos modificados a mão, a mão do vento virando solidão de estrelas no sonho perdido.
Não venha dizer quando o tempo novo se revelar, obrigatoriamente moldado, imagine quando eu me calar inteiramente a boca de dentro sem palavra alguma. Esfregando as narinas mais perto do fim!
Sem revolta, sem milagres, apenas o mistério dos sentidos. Vem, sendo assim te apropria. Melhor assim, perto do fim!


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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Purpurina solta no deserto
Rodopiando no vento azul
Ela se vê nas pontinhas dos sonhos
Reduz cada volume interno
Tentando sair de uma prisão alegre
Não tão alegre para ela
Mas o suficiente para prendê-la.
Na trilha verde-creme do chão aberto
Encarnado de cores mortas
Nas estribeiras do alento
A fagulha do mar
Fazendo respirar a brisa alheia da dor
Mas que mar, amar a bem amar amada.


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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cem poetas sem livros




A impressão é um incentivo da CCS Gráfica e Editora, sensibilizada com a natureza do projeto. Tem o apoio cultural da Fundaj (Diretoria de Cultura) e co-patrocínio do Instituto Maximiano Campos (IMC).



''Pela primeira vez na literatura de Pernambuco se reúnem, em livro, 100 poetas e poetisas que produzem há poucos anos ou há várias décadas, mas que nunca editaram um livro sequer. Ou porque não sabiam como, ou porque, ao saber, não tinham como produzir e custear as despesas gráficas e de lançamento. O Movimento Litera PE acredita no estímulo à escrita com repercussões na promoção à leitura. Por isso um livro-retrato do que se escreve atualmente, em termos de poesias, no nosso Estado. Algo de excelente qualidade que pode ser trabalhado na rede de ensino, em tom de contemporaneidade e interação entre autores, alunos e professores, além da comunidade extra-escolar.

“É muito rico. Se brincar, vamos fazer o volume dois, com cem outros inéditos, além de outra centena de publicados, entre independentes e consagrados. A matéria-prima é vasta em nosso estado. Só faltam alguns ajustes e uns bons empurrões para a frente”, brinca Cristiano Jerônimo.''

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aos poros que me domam no teu suave corpo despido a léguas da dor, são os mesmos que me retraem com olhos grudados na pele, com olhos grudados nos olhos. Eu me disfarço em pedaços, em moinhos, em desalinhos, e retorno ao casulo do ínfimo ser.


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quarta-feira, 1 de julho de 2009

No meu universo sou a protagonista
do espetáculo que se segue.
Para alguns,
apenas uma coadjuvante vulgar.
Pra outros ainda serei uma simples figurante qualquer.
Mas o que importa verdadeiramente,
é unicamente o círculo que me cerca e me separa do igual,

meu singelo mundo.

sábado, 20 de junho de 2009

Bruto ventre do fruto venho
Braço bravo forte tenho
Fracos fardos frios detenho
Diminuição dissociação difração
Monóico monogâmico monólogo
imbuído embutido entulhado
Mafra moderna maior
Sangue simples sadino.




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sexta-feira, 19 de junho de 2009

A espera o transforma na





submissão do tempo, delicado e



im pro



vi so.

Renascimento

Quando das pétalas humedecidas, nasceu o desejo de te amar,
o sol contrariava radiante com cada feixe perfurando sua vaidade.
Retraída, encolheu-se e não quis por fim, despetalar a sua essência mística inusitada. Ao seu redor o brilho que dava vida ao desalento, não conseguia chamejar sem o doce aroma das roseiras vermelhas.

Na calada da noite serena, a lua convidava-as para fazer-lhe companhia, mas as pétalas não respondiam, estavam com ar de insignificância.
A lua amarelada berrava, despertando todos naquela noite estrelada.
Menos elas, as simples e belas pétalas.

Quando das pétalas humedecidas, nasceu o desejo de te amar,
o sol alimentava as suas doces esperanças, dando forças para o despetalar da emoção do grande desejo do amor, da valsa sublime perene no ar.
A essência nunca sentida antes, abriu aos corações pequenos, pondo vida nas perdidas vidas e um rastro de brilho nos labirintos esquecidos.

A lua satisfeita, nunca fora tão magnífica, tão sublime. A noite encantava aos que passavam por ela, era como uma música suave, era como sentir a paz infiltrada no vento quente e macio, era a liberdade da alma,

era o amor plantado no chão verde!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Inquietude

Há uma acústica na concha
Onde o mar denso, repousa.
No seu infinito, fazendo sonir um trovejar do fundo do oceano.
Quando entrei ele estava
Impávido, cheio de euforia.
Furioso e faceiro!
Oceania. Julga-te imperfeito por teus defeitos
E formam-se bolhas de desmantelos.



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domingo, 14 de junho de 2009

Desencanto

Da matéria bruta feita de calcário
Na excepcional migração de corpos despidos
Com pés na areia fina e macia
Sentindo o vento da brisa
Entrando nos poros à dentro
Fantasmas de pele crua, invoca!
O prazer remoto do desejo
Tocados os órgãos da vida
Pura de mágoas vividas
Vulcão em erupção
Penetração de vulcão
Vulva doce e quente
Púbis selvagem e cavernoso
Um ser noutro
Um ser neutro
Alojamento de sobrevida.


"HTML"

sábado, 13 de junho de 2009

Elementos vivos

Na visão do infinito, óculos de plásticos, lente de metal olhando ao redor do vão escuro da noite sombria. Ocular por duvidar de si, perante dois olhos malditos, inoculados a cada raio vindo do breu num instante inesperado. Escapamento de luz obscura, obscura clara refletindo insegurança com o olhar e maldade vista com o próprio. Sombra de dois reinos visíveis ao notar os seus castelos, muros postos à frente de cada batalha seguindo passos ao esquisito. Revirando mentes sem precisar agir apenas em campo sem precisar lutar (revirando mentes sem precisar fingir apenas em campo sem precisar agir). Dissemina tua total dor e não te ver como inimigo. Embate de corpos minados por explosões de desejo de um só. Urânio, urânio, urânio. Uma bomba de desgraça sendo usada sem inimigo, demolindo a base incorreta do corpo, da carne. Desmoronam-se tudo!



`HTML`

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fragmento IX

Mariana mar e brisa
Brisa e mar
Vento passado na mente
Intimamente meia água
Chuvas de verão
Estações mudadas constantemente
Sentidos feito de razão
Invasões em bloco
Subitamente passagens visíveis
O claro e o escuro
Cavalos-marinhos opostos

Motivos, momentos, memórias
Fantasia na folia de reis
Embrulhada em papéis
Entulhada no corvéis
Barulho barulho barulho
Euforia sucumbindo cabeças
Espessos no ar (pingos)
Paradas obrigatórias adiante
Navega por mares
Sem voltar pra ancorar.


"HTML"

terça-feira, 9 de junho de 2009

Fragmento VIII

Vanessa pensamento andante
Palavras soltas na boca
Gosto de fome e sede
Sacia cada metáfora dita
Uma explosão alegre
Uma explosão de dor
Sem medo amar
Sem medo errar
Sem medo de arriscar
Pertinência em pessoa
Esquecimento no ar

Vivência de solidão
Momentos de partilha
Não se esconde
Não se veste
Não se retrai
Risos, versos e prosas
Mil faces em ti
Fuga incessante do nada
Parábola contínua de amor
Resistores D'alma


"HTML"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Fragmento VII

Vinicius encantamento de Reis
Sobressai de planos
Aterrisagem ao ar livre
Comunicação em afeto
Sorriso de gigante
Buscando seu ponto certo
Um coração fascinante
Luz do sol brilhante
Proteção de teto

Cultural, popular, espetacular
Uma vanguarda em explosão
Agindo sem medo de errar
Tiragem de pele em ação
Acerta os movimentos
Esquece os pensamentos
Vivente errante
Purificação restante
Divino divino divino

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fragmento VI

Tainã se faz em segredo
Com força e personalidade
Criatura de fases
Unindo dois reinos em seu mundo
Atraindo pra si cada partícula
Tudo que passa à sua frente
É detectado
Sempre com pensamento amplo
Inteligência em uma única pessoa
Capacidade de percepção

Seu interior fala
Turbilhões de emoções
Fecha-se quando quer
Fecha-se sem querer
Formam-se barreiras
Feito uma flôr
Abre-se aos poucos
Pétala por pétala
Brotando sua realidade
E ela se faz menina


"HTML"

domingo, 31 de maio de 2009

Fragmento V

Leila forte chama de ar puro levados com o vento
Traz consigo o frio e o cobertor dos dias quentes
Uma mistura de Continentes expostos no parecer do tempo
Pureza minuciosamente posta em uma única pele branca, negra.
Doce vinho branco seco guardado numa adega
Apaixonante boca que fala e se apaixona, só.
Vários tons em um único olhar
Transforma os sentidos ao falar
Suplica das palavras explicações extensas, extremas palavras.
Formando um almanaque de idéias.

Com a delicadeza sai do casulo expondo suas asas
E fecha-se como concha ao ser tocada
Sua pérola quase nunca é mostrada
Mas seu encanto continua perpetuado no ventre
Flutuando em pequenos pensamentos ausentes
Perdida no espaço, aterrisa quando precisa.
As madeixas dos seus fios envolto de si
Com o perfume dos impróprios, disfarça.
A dor que mastiga e não passa
Ultrapassando o cheiro do amor.

30/05/2009


"HTML"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fragmento IV

Priscila brilho eterno de luz
Sempre se fez encanto
Milagres d'alma livre
Íntima de um ser brando
Fazendo reluzir luz e calor
Onde passa ou anda
Rainha és tu
Não do deserto
Mas do ser esperto

Te quero sempre à frente
De tudo que for alegre
Sem desperdiçar cada dia
vivendo em harmonia
Trazendo ufanismo
Liberdade é teu nome
Grandeza teu prefixo
Longe do infinito


"HTML"

Eu quero...

Eu quero um amor macio
Sem dor nem vazio
Claro como sol, leve como o vento
Sem rancor nem desalento
Aquecido pelo calor sereno da natureza
Degustar da sua imensa proeza

Eu quero da delicadeza das pétalas
A sua simplicidade
Alimentar aos corações
Com a essência mística da felicidade
Despetalar suas verdades a cada amanhecer
Eu quero nela nascer, morrer e viver

Eu quero o perdão descalço
Caminhando no concreto árido
Rindo a cada passo dado
Plantando no asfalto por onde passa
Um pouco da sua graça

Eu quero beber do azul da liberdade
Declinar na brisa suave dos mares
Possuir-me de toda essa acuidade
Voar ao infinito, respirar novos ares

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fragmento III

Suzane bateria estridente em pleno aquário
Sinfonia de tambores surdos
Com notas mudando seu itinerário
Esticando as cordas da pureza
No braço de um violão de aço
Vozes com ruídos
Trazendo-me aos ouvidos
Melodias brandas, limpas e findas

Rindo do esquisito
Mostrando tudo que há de bonito
Em uma face quase indivisivel
Com energia tirada dos pés
Estremecendo os olhos de quem a repara
Vibrando as palavras ao serem ditas
Fazendo ruir pérolas de chuva
No momento de desatino.



"HTML"

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Meramente prosaico.



Dos lábios carnudos pintados de vermelho
só restava à pequeneza da ilusão.
Algum estrangeiro deu-lhe apenas meros prazeres carnais,
esquecendo que ali existia algo denso,
sobrecarregado de sentimentalismo infantil
e fraqueza de mulher...

Aos poucos os grãos jogados foram possuindo
todo o corpo desprovido de afabilidade,
cegando-o, tornando-o dependente daquele simples caso banal.

O ruído do desejo fissurado já caminha involuntariamente
por entre os becos sem luz, rachando todo o asfalto,
uma única luz existente era a luz dos olhos do adventício,
um olhar ténue amadurecido que dava vida ao anseio insano.

A aventura doce carregada nos bolsos
dava ao simples caso um ar de ameaça.
[arriscavam-se euforicamente]
Talvez a efervescência fosse dada ao excêntrico,
não havendo ali sentimento algum,
apenas bel-prazer do sensualismo.

Não existe nome para esse turbilhão de emoções,
de vontades afobadas, de almejos...
é algo misterioso que constitui
todas as células do corpo rubro insaciado.

O gosto da memória
é raso, miúdo...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Fragmento II

Andréa fonte de algas vivas
Mistura de beleza e encanto
Carisma na pele branca
Aguça os sentidos
Seja com o falar
Seja com o olhar
Hipnose na voz falante
Olhos pregados no ar
Sintonia de motores em silêncio

Desviando a rota do mar
Com moléculas de hidrogênio
Espalhando o perfume das rosas
Com moléculas de oxigênio
União de dois compostos
Plenamente pura água pura
Azul azul azul em tudo
E no balanço das madeixas deixa
Deixa no ar tudo que há.


"HTML"

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fragmento I

Mariana veio do mar
Com a brisa leve dos ventos
Causando arrepios a quem passar
Cada grão de areia se levanta com o seu caminhar
Vestida por si só
Não age com as forças efêmeras
Exibe um coração feito mandarim
Cheia de poses, gestos e contrastes.

Com frases repletas de verdade
E uma porta meio aberta à frente de mim
Faz-se pudor com o seu andar
Faz-se poder no seu olhar
Vertigem em mãos pequenas
Entrelaçando cada miragem vinda
Estagnada aos seus pés
Sem vinda nem ida.


"HTML"

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"O azul do céu ilumina
As nuvens passam
Agarra-te a Elas
E voa no limite improvável".



"HTML"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amanheceu um pensamento.

No balanço da varanda vejo a serra nevada pela chuva, nebulosa nuvem carregada de agonia despeja suas mágoas, nas montanhas de passagens migratórias alguns resistentes outros dependentes. Cinzento numa tarde nublada, o ar puro se aproxima que chega a dar arrepios, com isso o medo do novo de novo. Previsão calculada com os dedos sem a cabeça livre, a cada pensamento cai um raio, a cada telefonema soa um trovão. No cumulus vem à torrente voz macia, sorrateira. No nimbus vêm frontes de miragens, imagens. Aperto de cobertor que lá vem um temporal, vastas lágrimas perdida na face indo em direção ao céu. O céu da boca sente o gosto amargo do pesar, chá pra acalmar e chá pra se deitar, quente, frio, frio, quente... Queimando o que sobro e esfriando o que restou.
Lendo o livro da vida terrena sem imaginar o que isso vai lhe custar, ouvindo o som do consolo, lapidando o seu ego pelas notas escutadas. Tocou a campainha, era a Felicidade dizendo que ainda existe é só questão de tempo, vibra o telefone é o Sol, pai da noite, atirando luzes dizendo que está pra chegar.



"HTML"

domingo, 10 de maio de 2009

A poesia exposta na janela...





Suga toda força, a respiração vai diminuindo pouco a pouco [sem se notar].
O corpo fica anêmico, diante de tanta ousadia...
leve, renovado, pronto para ser levado pelas suas mãos, pelo seu brilho insano.
A explosão gentil do seu sentimentalismo acalma os corações pequenos.
Sua presença, no calar gritante da noite, alimenta os corpos desamparados,
guiando com a sua clareza ingênua, os passos desatinados, sem destinos, sem passagem.

Encarar-te, LUA, liberta as aspirações caçadas.
Mastigando tudo ao alcance, degustando, realizando-se.
Em teus mistérios calorosos a alma de um corpo eleva-se...
No clarão dos teus olhos um brilho de esperança brota.
Como quando, surgi a vontade de morrer e renascer diversas vezes das tuas cinzas...
Sua sabedoria invade as mais miseráveis das almas, quebrando suas portas...

O seu sorriso cordial, diz-me algo intimamente:

- abraça a tua vida, pássaro contente


(Aparição - 09/05/2009)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Fraseando...

''Assim como o vento à juventude.''

sábado, 2 de maio de 2009

A dor da espera.

A espera do descanso é mastigável. Sentada em um banco a vida passava sem sentir o vento, ela sem esperar nada, esperava. Cada momento era estável e proveniente de espera, a certas horas da tarde, fantasmas do nada a rodeava sem pena, sem calma, apenas na espera. A espera de um consolo, de se esmurrar, a espera de gritos, de que tudo se acabe. Mas a verdade não é isso que ela espera, ela espera o tempo passar, as pessoas passarem e até mesmo o ônibus, ela espera. Só, ela vive esperando dela própria algo que não pode esperar ou mesmo nem se espera. Destruindo os passos do bem-estar no engano da solidão, querendo entender o que se é viver só no aguardo da incerteza. Esperança espera espaço, espremendo-se nos dias simples a dor da dúvida, insana, imprópria, insatisfatória. Se espera do nada um simples nada ou também um adeus.


"HTML"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Eu vim de lá de dentro!

Na inocência do prazer,
fui sendo guiada pelo anseio da felicidade cega...
Meu corpo absorveu toda uma euforia gloriosa, tampando as dores complexas que constituem a natureza humana. Tampada as aflições de um ser em transe, fingia para si mesmo a alegria [lamentável]. Ninguém consegue por muito tempo fingir-se. O vento agressivo me conduziu para um imensurável mar de contestações que nascem da incapacidade de alcançar as vontades aprisionadas. No meu íntimo, um turbilhão de pensamentos se contrastava, ferindo uns aos outros. A pequeneza da minha pretensão mostrou-me que nada vai mais além que o silêncio amiúde, que a calmaria suave dos ventos, e a verdadeira essência estava ali a todo instante, exposta na mais hedionda das janelas, na mais simples... Na ilusão do suntuoso, expus-me ao ridículo. No final das contas, cabisbaixa aprendi que nada é mais importante que a harmonia do eu – com o mundo externo. Ninguém está dentro de nós quanto nós mesmo. A beleza da felicidade está na solidão, está no imaginário. Pintarei a partir de hoje meu caminho com cores cintilantes, trilharei com pétalas puras. A felicidade é uma ilusão, assim como a vida, assim como tudo ao nosso redor. A partir disto, eu tenho-a em mãos.

A minha jovialidade é constituída de indagações, assim como minhas vontades, meus desejos miúdos, assim como quando tenho a vontade da liberdade comível, o azul, o azul, o azul... a parcialidade invadiu-me, abrindo portas para o encantamento da paciência extrema.

quarta-feira, 18 de março de 2009



a tinta envelhecida dos panos que o cobrem
abafa o brilho da cor da vida
a vida esquecida
a vida ameaçada
a vida sofrida
a vida sem vida

o olhar amarelado com remelas amarelas
caídos, só um foco...
o chão, o pé, o pó
o pé com calos
o pé sem dedo
o pé que não segue
pára, volta, meia-volta
sem expectativa
de seus pequenos pés
tomarem um rumo diferente
andarem para frente

uma luz, a solidão que chama
no desespero, afogam-a no concreto áspero...
seus sonhos levados pela poeira cinza
tornam-os maduros, passar o tempo
fruta podre


passarinho me avisou
felicidade estar por vir
criancinhas vão ninar
sem preocupações enfim

vida sadia, vida cantante
melodia estendida
na porta do retirante

sábado, 28 de fevereiro de 2009

(tran)quila's

Tranqüilas. As águas de sais permanecem tranqüilas passando entre as faces que correm. Vão migrando até seu curso destinado, caídas pela monotonia dos olhos e o Rio transborda a calmaria. Felicidade tranqüila, duas partes designada pelo pensamento voltando a ser princípio. As lágrimas calmas resistem em sorrir, rindo amarelo, azul, arco-íris, ficando imune a tristeza dos dias calmos, vozes calmas, vozes certas que de certa forma acalma, visões de rios, de risos, de lágrimas, prazer. Vozes da calma, da alma, da dor de amor. Nessa nervosa calmaria do dia-a-dia com os pés flutuando pela ponte de rios, visualização calma por nervos dos tempos, com ventos soprando devastações de dentro, de dentro...


Parô!


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Um sonho perdido...

Meu corpo que há tempos atrás de cada nota surgida dos acordes de mel saltava delirante por entre nuvens brancas, tão branca que seu cheiro exalava um aroma de paz. Perde-se, hoje, no soar de cada melodia estendida. Suas asas estão submersas em algum lugar do espaço. As cinzas espalhadas alimentam a (des) esperança de um dia o amor ser o senhor do universo, não mais havendo casulo entre a lâmina que o separa da vida real. -A promessa esvai-se juntamente com o vento que o trouxe.
Na calmaria do corpo consagrado e consolado pela vida que o cerca, come o aroma aderente dos panos marcado e que fez, um dia, a parte de uma ilusão afobada. Mastiga grão por grão, desfazendo-se assim, da fantasia (muito) malfeita. O gosto da lembrança o faz sentir muito maior que qualquer ser, capaz de se entregar (uma outra vez) ao amor, renunciando tudo. Numa afoiteza invejosa, muitas vezes esquecida.
O caminho coalhado de pétalas frescas soa o perfume carnal, do sangue, do pecado, do desejo. O desespero de sentir um gosto novo, esperançosos de a aspiração ser eterna, fez com que caíssem defronte em um buraco raso, quebrando o frágil e fino vidro construído a par.
Sustentando com os dedos o meu coração, um amor (verdadeiro) faz-me celebrar com os deuses donos do sol, da lua, do mar, e toda a natureza que nos acompanha, numa valsa sublime, a esperança de um sonho renascer num corpo uma outra vez.
O sonho do amor, fraterno
eterno.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Boa noite...

No olhar de cada gesto teu
a neblina obscura alisa o corpo lesado.
A escuridão pesada esconde a aversão
para a estação ser completa-mente
[inventiva]

Adoração soa sussurrando dos lábios vermelhos
Parece ser tão verdadeiro, que a invenção atrapalha-se,
esbarrando-se na realidade mentirosa

Líquidos de prazer percorrem, feito lágrimas,
os corpos no cio, no desejo imortal mútuo
entrelaçados numa cobiça desvairada.
Degustando artefatos do corpo vira-lata
sinto o gosto acrimonioso em meu peito dilacerado

Depois do frenesi, ainda na escuridão encarnada,
deito os meus pensamentos em teu peito
chorando a dor do imaginário
abrindo as portas para a loucura ser completa
e eu sair voando alto, alto, muito alto

Em silencio, retiro-me novamente dos teus braços,
braços que em algum momento do nosso tempo
acolheram-me, alimentando meu coração miúdo


A miséria faz-me de andada
para algum lugar bem longe dos pensamentos
que pensam divergentes...

Bom dia!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Retidos e Suspensos.

O sofrer me alegra me renega de tudo que for riso, aceito o vazio do ser sem me conhecer e detono cada sentido, sentido...
Não reajo aos sentimentos que me carregam deixando em mim um detonador parasita de si mesmo. Funciono na válvula do desespero que me alimenta e sacio dele como um animal em sua matança.
O amor real chega a inexistir por frontes de protestos e cada dor recente manifesta a desilusão do ser, do existir. Fabricações de corações tubérculos feitos com restos de desatino no momento inesperado.
Ninguém reagi ao que eu desisto e me entrego ao paradeiro do inquieto sem ao menos desfazer os emergentes protéticos das faces ocultas por si só.
Vou desamarrar as dores e amarrar o que não me interessa.



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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Reflexos ingénuos.



Os refletores das ilusões retratam-se
nos oceanos, lagos, rios...
Quando a chama da lua brilha toda sua
platéia, sendo ela um espetáculo iluminado.

Nos reflexos das luzes humedecidas,
elas que nascem no escuro
esbaldando sensualidade em sua estadia
indo embora no sereno da alvorada,
escondem seus segredos na beleza.

Em completa solidão com seu feixe de luz, lua,
Sinto o meu coração tão miúdo
sendo aquecido com teu calor,
sendo perdoado por suas lágrimas.

Lua minha, minha lua...
Você que encanta sem canto,
Mas que geme em sua melodia,
Sendo o vento o regente
da grande contemplação do silêncio degusta dor,
onde os instrumentos são pedacinhos que
constituem a natureza

O som dos mares,
das folhas secas estalando suas dores,
das folhas maduras acariciadas pelo vento
exalando sua felicidade,
do silencio da madrugada gritando seus medos,
suas verdades, seu desespero, seus amores...

Possui-me lua, com toda essa ousadia invejosa,
quero a tua paz macia, tua beleza discreta,
as tuas ilusões, a sua sabedoria...

Luazinha das noites misteriosas, dar-me um pouco
dessa sua graça, quando na escuridão dos meus devaneios
converso com você, canto, idolatro...

domingo, 11 de janeiro de 2009

camuflagem


Hoje tem festa na prisão
Um samba rasgado
Pra Preto Velho dançar
A roda se faz de escuro
Pés nus grudados na lama
Ritmo, graça e cor.
Um samba preto pra meu amor
Raízes com bases
Mistura de sons e imagens
Magia nas pernas
Unicamente solta a mente
E a noite se encerra
A nega ginga
O nego dança
O quadril swinga
A mão balança
Acaba a canção
Antes de chegar o patrão.


"HTML"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Quem eu sou...

Sou filha da Lua
regida pelo brilho
da solidão...

Sou irmã do Sol
regida pelo brilho
da força...

Amiga das estrelas
regida pelo brilho
da simplicidade...

Rainha da Natureza
regida pelo brilho
da pureza...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!


- Clarice Lispector

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Gosto de sentir a tua pele afagando a minha,
como se, quando, o meu corpo estivesse sendo desvirginado,
na explosão do puro desejo infame,

saboreio pedaço por pedaço do seu corpo macio...
vestindo, assim, todo o meu corpo da natureza do seu carinho
que delicia o mesmo, fazendo-o alcançar o ponto mais
alto de todos o altos que não se alcançam...

numa cegueira informal de desejo do seu corpo,
vou retalhando o nosso sentimento
caídos no chão doente de tanto amor,
minha alma desesperada recolhe nas mãos
e repõe no corpo uma outra vez, costurando
retalhos e detalhes no nosso corpo...

meu corpo exorcizado, do sentir que se sente sem sentir,
transfere essa profundeza para o seu corpo
beijando incessantemente suas mãos,
tocando calmamente os seus pelos, alisando sua pele,
absorvendo o brilho dos seus olhos, comendo da sua carne,

E nessa presença do seu cheiro, do seu gosto,
da sua voz, é como se um vento silencioso
sussurrasse baixinho ao pé do ouvido palavras de paz.

Ausência

Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


- Vinícius de Moraes

domingo, 28 de dezembro de 2008

desajeito...

Parei de chorar.
Parei de beber.
Só não parei de fumar.
Pra não perder o hábito.
De soltar fumaça pra dor.
Pra solidão do vazio.
No desespero da noite.

Parei de jogar.
Parei de pensar.
Só não parei de sentir.
Pra não perder o espaço.
De entrar no ser.
No querer da alma.
Sem perder a calma.

Parei de mergulhar.
Parei de me afogar.
Só não parei de nadar.
Pra não perder da correnteza.
Da maré alta.
Fazendo redemoinhos no tempo.
Ondas levando a falta.

Parei de sonhar.
Parei de rezar.
Só não parei de pecar.
Pra não perder o desejo.
A vontade que sempre dar.
E que chega a passar.
Deixando buracos sem ar.

Parei de gritar.
Parei de murmurar.
Só não parei de falar.
Pra não perder o dom.
Resistindo a metáfora.
Decifrando pensamentos.
Dito com o passar do tempo.

Parei de facilitar.
Parei de sorrir.
Só não parei de abrir.
Pra não perder o espaço de bolhas ao redor.
Literalmente bolhas.
Estouradas no sopro da vida.
Cheias de engano.

Não paro mais nada.
Não paro mais ninguém.
Não me paro.
E paro a dor, quando ta pra chegar!


"HTML"

sábado, 27 de dezembro de 2008

..



É de lágrima
Que faço o mar pra navegar
Vamo lá!
Eu não vi, não, final
Sei que o daqui
Teimou de vir, tenaz assim
Feito passarim

É de mágica
Que eu dobro a vida em flor
Assim!
E ao senhor de iludir
Manda avisar, que esse daqui
Tem muito mais amor pra dar


-Marcelo Camelo

O amor é nesse momento chuva
Vento vira apenas desalento
Brilhando a cem metros de mim
As luzes se escondendo no breu
O vazio se torna estável
E a passagem eterna
São gotas de desamor
Se espalhando entre meus olhos
Já molhados pela dor
Não consigo guardar a chuva
Momentaneamente não guardo o amor
Deixo que a levem daqui
Secando lágrimas com sopros...


"HTML"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Dias i-números dias

E cafés e nada. A noite começa sem que se perceba, ele tenta varar a madrugada, nada além dele respira esse pó de agonia. Trê3s cigarros impotentes e nada, a fumaça inicia a madrugada já esperada, ele despeja desespero nas horas. U1ma caneta e u1m papel com tudo que existe nessa máquina cerebral, são as idéias do amanhecer que faz ele desencadear da solidão ausente de u1m quarto ¼ de sofrimento singular que é dele, tudo isso é dele, vazio supérfluo e imerso.



“HTML”


...Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

- Vinícius de Moraes

Preciso demais... preciso de mais um pouco!

Preciso de mais emoções, preciso de mais amor, preciso de mais dor, preciso de mais alegria, preciso de mais tristeza, preciso de mais solidão, preciso de mais compaixão,
preciso de mais viver, preciso de mais dançar, preciso de mais prazer, preciso de mais descaramento, preciso de mais medo, preciso de mais desejo, preciso de mais anseio...

preciso demais acompanhar o ritmo da evolução humana, preciso demais caminhar sem os meus próprios pés, preciso demais das loucuras que não se temem o grande perigo da existência humana, preciso demais das saudades saciadas nos dias de sol, preciso demais dos ventos que sopram minha pele, preciso demais da natureza que sempre embeleza os meus caminhos, preciso demais dos choros sinceros, preciso demais dos sorrisos bobos, preciso demais das verdades verdadeiras que já não se encontram mais, preciso demais ser carregada nos braços pela beleza da vida...

tendo de mais tudo aquilo que me deixa grata, serei feliz demais...

domingo, 21 de dezembro de 2008

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(...) Bem, como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar

poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
e é tudo que vale a pena

- Marcelo Camelo


Ao passo que passo
Eu vou seguindo caminhos
Distantes de mim, enfim...

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sábado, 13 de dezembro de 2008



Naquela noite escrevi nos seus olhos frases adubadas de palavras de mel... Seu olhar me olhava tão penetrante que a minha alma chegava a se envergonhar. O tempo foge de nós dois, ele se esvai perdido no vento zombando de nossa ingenuidade. O tempo ali não para, mas nossas almas param por toda uma eternidade. Quero plantar o nosso sentimento em um só lugar, cultivando-os da forma mais suave e delicada do mundo. Depositando todo o meu afeto, todo o meu carinho, todo o meu amor... Até formar um lindo jardim nunca visto, com flores brotando pétalas de pureza, a nata exalando o perfume de essência do amor eterno, afolhando um brilho maternal iluminando assim, todo o chão verde da nossa moradia. Passando a existir a olho nu a emoção de dois corações arranjados. O céu azul, o sol amarelado, os pássaros transparentes cantarolando, tudo isso, e tudo que houver ao redor do nosso jardim, eu irei pintar com tinta de compaixão.

sábado, 6 de dezembro de 2008

os dois extremos palavra de rosnei amor


O amor de tudo estima como fonte de água límpida em meio a um devastado deserto;
O amor acumula reservas de cristais caídos do céu vindos do oceano;
O amor é concha aberta entre pernas e brancos lençóis vermelhos;
O amor fareja até inalar um sabor doce de mel com aveia numa manhã de domingo sereno;
O amor é plural, indivisível par, superior ao resto do produto;
O amor corta as frases, gagueja pra que sejam medidas em pesos;
O amor dissolvi as placas de ferro titânico embutido no mais pesado bloco de veias pulsantes;
O amor faz escalas em degraus profundos e pisoteados, moldados;
O amor circula entre vasos, veias de sangue feito o vermelho, amor;
O amor é apnéia fluente no gás de oxigênio insuficiente;
O amor vira uma gostosa armadilha perigosa impossível de ser deixada;
O amor faz do tempo personagem oculto da cena onde a protagonista se inverte;
O amor persiste em faltar ar nos olhos de quem ama;
O amor deslumbra-se no afogamento terreno com as narinas abertas;
O meu amor por você desata olhos, línguas e faces que venham de malefícios;
O meu amor por você não precisa de espelhos pra ser visto;
O meu amor por você não precisa de bússolas pra ser orientado;
O meu amor por você não precisa de balanças pra ser medido;
E nem mesmo de precisão pra ser exato;
Ele, o meu amor, apenas necessita de você pra sobreviver!


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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Fez-se amor dentro de mim...


Tu és a manhã de sol ofuscando o próprio feixe de luz refletida em meu corpo. Tu és o sereno da noite que chega mansinho acariciando minha alma. Meus olhinhos ao encontro dos teus, refletem o brilho lunar, deixando rastros luminosos por onde passo. Suas mãos macias tão quentes asseguram meu corpo de qualquer mal existente. Beijar-te é ir além do próprio além. Beijar-te é sentir o vento agressivo acariciando minha pele.
Beijar-te é voar, é liberdade... Quero contigo destrinchar os segredos da felicidade eterna. Sonhar contigo é quando como meu corpo está completamente imerso nas profundezas do oceano, onde a paz se faz plantada na areia molhada. O calor do seu corpo é um refugio das incertezas da vida. Juntos, não somos constituídos de matéria, apenas a alma ali se faz presente.

Quero nascer para cuidar-te
Quero morrer para sentir-te
Quero viver para amar-te

‘’Somos a semente da esperança dos amores verdadeiros. ’’

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma cartinhazinha...

Quero colher com a minha mão o seu sentimento e manuseá-lo afavelmente para que o mesmo não se perca nas esquinas adversas. Tratá-lo-ei com a sensibilidade da minha alma, pondo todo o meu lirismo, fazendo-o morrer e renascer diversas vezes. Dançarei com ele levemente as mais puras melodias, fazendo-o sentir cada pulsar em meu peito radiante de tanto aprazimento. Na solidão dos nossos sentimentos misturados, eles brotam numa escuridão de puro anseio. O silêncio é a canção mais linda quando estamos juntos, pois é no silencio que nossas almas se comunicam, se entendendo da forma mais suave... e o eco das nossas respirações confundidas soam efervescentemente trincando o vidro, rachando as paredes... Quero dar-me a ti, como um instrumento do seu deleite. Trarei o brilho do nascer sol na mão para iluminar o seu caminho, como uma forma de gratidão. Na essência livre dos nossos corpos, derramarei lágrimas de satisfação para assim lavar o seu corpo, a sua alma... levando para algum lugar inexistente os males que te afligem. Pois, agora mais do que nunca, desejo a sua felicidade, desejo o seu sorriso...

sábado, 29 de novembro de 2008

Saudade dos mares


São passos largos de saudade onde os rastros não superam o tal caminho levando a solidão ao seu extremo destino. Com o mar remetendo visões do teu corpo esguio. A saudade é maré, a saudade é do mar. Anda feito brisa que com um simples sentir não se sabe a sensação, mas a sentimos onde ninguém consegui ver. São como as moléculas de areias, sendo pisadas em pleno céu aberto. Essa saudade tem nome, tem endereço e telefone. Ela não veio à toa do mar, nem virou a maré ao chegar. Mudou toda água do oceano a deixando puro, mas vazio. Das profundezas não se vê mais uma bolha de riso, as suas conchas todas fechadas a ponto de esfarelar suas pérolas, as ondas secam suas espumas aos pés de lágrimas e o vento não faz passar a saudade... Ultrapassando o limite do horizonte tentando seus olhos salgados côncavos do mar, na contravenção da solidão e do pacífico, arranhando os olhos esfregados pela areia maciça do amor naufragado. A saudade vai embora com os barquinhos enquanto outros ancoram nesse mar morto, ressacado pelo balanço das águas inquietas do engano, velejando a rota dos desencontros mareados com o cheiro da pura maresia fundida.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

um, entre dois ou mais...

Envolta a tantas fisionomias estranhas, imagens tristes, numa velocidade fora do normal, o meu corpo acompanha o vento, minha alma o desalento e, o meu olhar ténue absorve a melodia do dia-a-dia, numa calmaria desigual. Meus passos escritos retalhados me levam para uma desordem, um estrangeirismo em contato com o mundo exterior. A solidão me refugia das incertezas que carrego dentro do meu íntimo. No silêncio misterioso da minha alma, consigo entender o não saber dos enigmas da vida. Ou pelo menos crio, costuro e a verdade, a minha verdade, me sacia. Longe dos meus olhos inexiste qualquer imagem em mim refletida. Numa dessas paradas de descanso me deparo com malas imundas, bagagens cheias e o descontentamento de passageiros que perderam de vez a sua viagem à ilusão do encantamento. Jogo-me ao mar, lanço-me na alegria existente nas profundezas, nos sorrisos bobos dos ingênuos, na embriaguez dos cachaceiros. Meu barco consegue atravessar todo o horizonte que o meu olhar apurou num disparo de segundos. E lá, estou eu, como um bebê que acaba de sair do ventre da sua mãe.

domingo, 9 de novembro de 2008

corpos suícidas!

Os dois lados da lâmina estavam afiados à minha frente
À luz refratada pelo sol ofuscava meus olhos cheios de lágrimas com gosto de sal.
O desespero foi tomando conta de pensamentos desafinados,
logo me tomei por aquele objeto cortante...

meu peito sangrava incessantemente e a dor aumentava a cada gargalhada, risos,
risos soltos, soltos que escapava da face oculta em meio a pingos de sal e dentes.
o objeto ainda no chão reluzia um ambiente mofado, opaco e oco. os dedos começaram a esticar-se acompanhando o movimento brusco do impulso, unindo o aço a carne.
com as mãos trêmulas escorregando entre o bem e o mal...


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

hoje!

Eram dois homens acocorados movidos por antenas
E fixaram os pés no paranóico dia-a-dia.

*não sinto nem o sabor amargo do teu corpo*


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sábado, 13 de setembro de 2008

so it is!

Segurada por plásticos a margem de um rio ela estava à beira de um ataque de nervos. Saiu do seu percurso diário, mudando a rota do improvável sendo estupidamente medida por conseqüências. Observava abaixo dos olhos, não erguia a cabeça nem pra olhar os pássaros, a água migrava pra um curso certo e ela completamente errada ou desencontrada, ficava a olhar esperando alguma coisa, mudança, desvio. A fundo tocava uma orquestra, ela conseguiu erguer a cabeça, pois o som a atrai nada de imperial e sim um frevo rasgado em plena manhã de uma terça-feira. Sentia o vento batendo forte parecendo incomodar-lhe, não pensava em nada, em tudo ou realmente em nada. Era tudo muito calmo a não ser pelo barulho da bendita orquestra a tocar esse frevo, em meio a tudo isso ela conseguia ser um tambor, duro por fora e oco por dentro. Olhou novamente o rio, viu algo vermelho a boiar e como tudo e todos apenas passou por ela, estava no seu marco zero tentando dar o primeiro passo, mas nada de passos, só os dos passistas dançando nas suas costas. Cansou de ficar sentada a refletir e foi andar, passou por ruas de trilhos e só, somente andava. Passando por uma igreja algo mais forte fez com que ela entrasse e ao entrar observou como sempre, na verdade ela queria um lugar pra sentar, só. Ao sentar olhou a deslumbre e cara arquitetura celestial tentando colocar sua fé a prova, sentiu certa angústia e chorou diante de Deus e seus discípulos. Duas pessoas fizeram o mesmo gesto a sua frente, ajoelharam-se e rezaram. A todo instante ela colocara sua fé a prova não sabia se ia embora ou continuava a escrever, vai vê estava esperando por algum milagre, de onde viria nem ela sabia, mas estava ali triste, calada a continuar sem pensar em nada ou em tudo já que sua mente não pára. Três homens idosos passaram por ela, qual seria a rota deles? Dois pareciam ir ao trabalho, mas trabalho? Ao notar que estava só tirou algo que nem pensava em tirar, as suas guias. Arrepiou-se toda e começou a rezar, mas ao acabar ouviu um toque, eram os tambores do maracatu a vibrar do lado de fora, a vontade de sair aumentou, pediu licença e foi procurar. No caminho se perguntava sobre a fé... Procurou e não achou. Acendeu logo um cigarro tentando jogar na fumaça essa dúvida fora e sentou-se novamente em uma praça sob o Sol em meio a uma poluição sonora, vai vê é isso de que ela gosta, poluição. Fumava e escrevia, escrevia e fumava de estômago vazio como tudo nela está.



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sábado, 6 de setembro de 2008

Quero voar...



Voar para sentir-me mais segura
Com os ventos agressivos acariciando
meus cabelos, minhas mãos, meus olhos...
Quero o silencio do profundo adeus
perder-me no horizonte infindo

Deixem-me voar, deixem-me voar...

Preciso escutar a melodia pura dos ventos
Dançar contra ele, com ele, com as nuvens...
Como numa valsa, com a leveza de uma bruma
E que naquele ri timo fiquemos metade de uma eternidade

Deixem-me voar, deixem-me ir...

Sinto necessidade de inalar
toda a paz que existe lá no alto
Quero sentir de perto a solidão da lua
Quero respirar os ares da sensibilidade perdida
é tudo muito adverso, pérfido, embusteiro...

Deixem-me voar, deixem-me partir...

Sou um pássaro preso numa esfera
com minhas asas acorrentadas, machucando-as
Falta o ar, falta o choro, falta o riso...

Deixem-me voar, voar, voar...

Preciso me ausentar em outro planeta
onde se devaneia acordado, onde só exista a canção dos ventos,
animais, lagos, montanhas, árvores, flores...
onde a solidão exista da forma mais deleitosa

Deixem-me...

Não faço parte desse estranho astro,
sinto necessidade de uma realidade menos morta...

domingo, 31 de agosto de 2008

foda-se!

Não sinto mais o paladar da alegria, vou mastigando a dor deixando as migalhas me consumirem a cada grão que provo, o seu gosto me domina e eu como todos os dias desse prato que me vicia.
Provo de outros sabores que não são iguais aos seus, engôou facilmente deles, deixando o gosto teu que eu carrego em mim. Vários os sabores que vou provando tentando encontrar um que tenha o seu gosto de avelã com mel, seu gosto arde de tão doce que é não me lambuzo mais nele, mas o sinto em meu paladar, deixo que ele transforme tudo isso em dor, solidão. Ativo os sentidos na minha mente e minto pra mim, recusando aceitar esse amargo desejo que você me deixou, me devoro totalmente fazendo dessa dor meu aposento estável. Mordo meu corpo que ainda pesado teima em existir. Não era pra eu sentir tudo isso, deveria dominá-lo como você me dominou e hoje tenho fome por esse domínio. Fico esperando que esse excesso acabe, pra que eu pare de mim comer pro dentro, estragando essa comida que não me encheu completamente o estômago, ao te ver me babo toda com o prazer do olhar. Você não me deixa saciar essa fome, me deixando vazia seca e sem forças. Ao invés disso bebo e bebo pra que eu preencha esse bolo de tristeza, feito há muito tempo. Já perdi a noção desse tempo que ainda dura mais que a eternidade. Te desenho na mesa de um bar lembrando de teu corpo despido por toalhas de linho, admiro essas curvas delineadas a dedo torto, como se ele já estivesse sido feito pro pecado. Cada copo que tomo, bebo dessa saudade que enche bexiga, mas o que deveria ser preenchido não é, apenas me embriago apenas me embriago. Vou me viciando no álcool e em você, sem comer o teu sorriso e teus lábios e vou passando despercebida por tudo, por todos e por você. Costuro a linha lateral do meu corpo pra que ninguém perceba essa fome de dor e por dentro faço que a dor dance sem tocar a tua música, tapando os ouvidos pras melodias que vão chegando, só querendo a tua música.
Vomito quando escuto o que não quero, forço o vômito por não te escutar me chamando e volto à fome que sinto em te ter.


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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

olhos negros

Dois olhos negros tão claros e expressivos quanto à lua, que em uma noite azeda me apareceram, do nada, deixando a minha noite tão doce que amargava. Em meio a uma vastidão de olhos, o seu era diferente, existia um brilho ressacado. Sugava-me cada vez para mais perto deles. O seu cheiro era místico e ao mesmo tempo absorvente. Não sei explicar bem o que foi aquela noite. Tenho tentado encontrar-te por aí. Inspiro cuidadosamente todos os perfumes, mas nunca encontro àquele que um dia me fez desandar e trilhar um caminho seduzido. Sinto que estás tão longe e ao mesmo tempo tão dentro de mim. Essa sua voz aguda que excita o meu paladar, ainda soa no vento como se você estivesse ali do meu lado, sussurrando baixinho. Uma ausência desse jeito só me resta o lamento, o cigarro, uma folha de papel, uma caneta e alguma bebida que me deixe na mais completa embriaguez. Vago nos bares da cidade me embriagando no copo da tristeza em busca dos seus lindos olhos negros.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Canção lamentando a perda de uma paixão, em plena madrugada,
onde tudo se esconde no puro sentimentalismo.
A perda de algo se reflete na solidão
de um ser retalhado de prazer inalcançável.

No meu abrigo protejo-me da derivação do seu nome.
Tenho medo das pétalas de tristeza que podem cair sobre mim.

Cuidadosamente vou costurando
todas as lembranças em um pano de cetim.
Dou um nó com força para não correr o risco de desalinhar.
Por fim, darei àquela que é a dona dos seus sentimentos.
[Um lindo vestido de cor vermelha...].
Como um gesto de gratidão.

Em meu peito uma dor se faz de incertezas,
por não saber realmente o que acontece comigo.
Mas há uma grande certeza,
de não querer mais esse pobre caso de amor.


domingo, 10 de agosto de 2008

dias...

Que tristeza é essa que bate em um dia alegre, de vida, de Sol. Procuro palavras, mas só acho o silêncio das vozes, as línguas que pararam e cessam cada palavra distante, sinto um aperto na voz que estremece com o som solto no meu peito vazio. Tento gritos, sopros e chego ao fim da alma como se fosse predegulhos arranhando meu corpo incessante de dor. Desafio o instante que passa depressa, noto que a consciência não é mais a mesma e me fecho pro fim. Pareço sentir algo estranho se aproximando mordo lábios com medo do que vejo, rôo unhas sem deixar dedos, me sufoco a pés que envolvem meu caminhar, dificulto as passagens andando torto, demasiado e paro diante de portas que perseguem meu caminho, desisto de tudo volto a ser espinho, conseqüência. Perfuro a alma que se abre feito pétala na primavera, vai penetrando no meu próprio ser feito pólvora preste a explodir. Acendo um cigarro que se apaga aos poucos como o sentimento que corre em mim, esperando por um milagre que não irá acontecer. Me acostumo com o escuro que não me doe mais na vista, lamentos, desencantos e insatisfação são os sinônimos do meu medo nas frases perdidas nesse interior. Sinto um frio dentro de mim que envolve tudo ao meu redor, fixando-se perto de mim com o tempo, de tão longe são ditas as palavras quando se machuca dentro de nós, sem pressa e lugar pra se chegar. Nem meus medos me protegem mais, deixando a esperança que sempre atrasa. São esses dias que fazem lembrar do sentimento humano, me deixando não, mas triste e sim com algo que não se desenha, o dia vai passando sem que ninguém perceba meu desespero e tento não mostrar mais nada além de sorrisos e olhos que metem o dia todo a minha dor. Chegam pontos introduzidos pelo ser que me condena, fórmulas há serem usadas por mim que nem ao menos foram testadas, mas que me consomem a ponto de me fazer colocar pra fora tudo que não quero e deixando apenas lacunas no órgão que pulsa intensamente por quem não devia. E o dia acaba assim, com risos e lágrimas, lembranças e incertezas, vontades e devaneios. Fecho os olhos a ponto de tudo esquecer, como se o fim fosse aquela noite. Na manhã seguinte dou bom dia a mesma tristeza que começa a me visitar a partir desse dia, me acostumo a ponto de sentir saudade dessa tristeza tarda. E ela vem chegando até mim pra que eu me afogue na bebida que não faz mais efeito algum, bebendo do meu copo degustando da minha dor, oferecendo-me o ombro pra que eu chore de amores por quem não me quer e eu choro, choro de tristeza que é a tristeza de amar.


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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

*um dia desses*

01/02/08


Era uma sexta-feira à noite tudo estava normal o movimento dos ventos, a euforia das pernas rodopiando sem cessar, pessoas passando e show rolando, quando de repente não, mas que de repente, lá estava ela perdida em meio a multidão tumultuada, só no meio de tantas pessoas ao seu redor, rindo, mas não um riso puro e sim necessário. Me pareceu feliz, mas realmente foi só impressão, minha comunicação foi direta, não pensei antes de toca-la, foi algo surpreso e inesperado, não esperava vê-la por lá. A toquei e meus instintos foram logo tomando conta de meu corpo, senti foi um arrepio que me veio dos pés calçados até a nuca onde quase fora beijada. Era como se estivesse dentro de um verdadeiro iceberg que esse abraço me causou, cada pelugem do meu ser ergueu-se feito arbustos quando sente o vento sereno da tarde.
Pensei em solta-la por estar em meio a tanta gente, mas ousei o tal ato que foram os melhores segundos de toda aquela noite de folia, realmente “eu trocaria a eternidade por está noite”. Quando a soltei senti certo desnorteio bom, um alucinógeno melhor que qualquer droga já provada (me viciei e hoje não consigo largar esse vicio) e fiquei parada sem reação alguma, apenas pensando se seria certo tudo que havia acabado de acontecer e não achei resposta pra mim mesma.
Na segunda vez que a vi, parecia que algo a dominava, bateu certo temor e não reagir. Era muito forte essa visão que tive e sim, algo a dominava realmente. A terceira vez que a encontrei me parecia pior que a de antes, estava tudo tão triste, um dia pacato, como se isso dependesse dela pra mudar, mas ela estava pior que isso. Sua aparência caída e no mesmo perturbada, nos falamos e ela nem imaginava o que se passava em minha mente a dias. E esses dias são de sonhos e não são poucos, já acontece faz um tempo, são noites e noites sem dormir, ficando a pensar em tudo isso, o pior de tudo é que eles não me dizem nada, virando apenas sonhos.
Queria poder falar isso a ela, na verdade já falei, pois isso aconteceu já algum tempo. E hoje eu colho sementes não muito boas, comendo tudo que eu plantei ou que plantaram por mim.

Escrito 06/02/08

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

sei lá, cousas do momento...


Envolta aqueles pensamentos insolúveis retiro-me minuciosamente do real, e encaro à todo custo o que me aflige no lado fantasioso que me pertence. Metendo as caras, no cru.

Um lado, diga-se de passagem, é tão feio que me assusta, porém o outro até que reformando um pouco aqui, outro ali, ficaria perto daquilo que se chama de beleza feminina, no sentido completo.

Um lado grita desesperadamente enquanto o outro se cala, feito mosca morta. Preciso uni-los a um só, para poder consertar essa desorganização grotesca. Esse ser portador de duas almas conflituosas é o mesmo que irá trabalhar em cima disso. Só ele tem as ferramentas certas. Porém, é o mesmo que fez tudo cair e sair trincando no chão escuro, restando apenas feixes de luz envolta a sua cabeça. Dessa forma fica difícil sair voltando pelo mesmo caminho, caminhado um dia de forma tão desajeitada.

Vai entender o abstrato, queria eu!

domingo, 3 de agosto de 2008

Quem ser?!

Na noite onde o breu exerce seu poder aumentando a dor com cada estrela que se apaga. Vou fazendo escolhas incertas basicamente sem nenhuma intenção, destruo toda esperança que ainda existia. Ninguém consegue ver o que eu vejo, são visões puramente nevadas sem a força da cor e tudo vai se transformando em desilusão. Eu não sou o que se vê, nem o que se senti, sou apenas duas pessoas em um único corpo neutro. Ora amo, ora desamuo, ora existo e me disperso no desajuste do tempo. Vou tentando preencher a metade do que sinto e não consigo satisfazer o que eu preciso, esqueço do outro lado que ainda ficou vazio e vou fingindo que ele não me incomoda. Ás vezes minto no que digo sendo capaz de abrigar as dores do indeciso, não mostro quem eu sou e prometo voltar atrás do que é verdade, ficando sozinha. Perdoou todo lamento dito, parando essa disritmia que desgasta todo meu valor e encontro sorrisos que me aconselham a desgrudar desse outro lado sendo realmente quem eu sou. Sustento na saída buscando apetrechos pra me achar, choro de alegria por saber que a ausência se desfez, mas eu continuo com um lado vazio. Olho meu abandono e traiu minha própria certeza. Menina que não sabe quem ser, grudando retratos no espelho tentando se vê, sonhando em segundos o que viveu por dias guardando em pensamento os gestos consigo. Meus olhos continuam a mentir fazendo a verdade virar silêncio, enquanto respiro vou lembrando que há, mas nada a fazer. E meu belo fim se esvai depositando em caixas toda fé existente. O que se fazer além de viver?


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sábado, 2 de agosto de 2008

Um palhaço das perdidas ilusões

Sou um artista. Bem dizer, sou um palhaço!
Faço a apresenteção na hora do espetáculo fazendo com que todos riam e esqueçam suas angustias, outros, simplesmente as deixam lá. Depois que tudo termina, fico catando as migalhas para reconstruir a minha felicidade que ficou esquecida no palco incandescente das ilusões. Onde lá, no palco, eu fui o protagonista contagiante. Hoje, sou platéia sofrida. Assisto de longe ao grande show, numa escuridão interminável. Da minha bancada eu vejo meio embaçado uma realidade conformada, sem esperança, sem sonhos. A hipocrisia estampada, a miséria de mãos dadas com a futilidade, e o amor perdendo sua essência... e assim, todos vão seguindo como se estivesse tudo certo, tudo puro. De longe vejo um grão de felicidade e um pão de tristeza envolta aquela multidão toda. Naquele palco a minha felicidade ficou esquecida, sendo assim eu aprendi a lidar com a tristeza. E na tristeza nós, seres-humanos pensantes, de alguma forma, estamos submetidos a manusear toda essa penúria. Tornando-se mais feroz, mais preparado... porém, muito malicioso. Como tem que ser nesse mundo de lobos! Se não for assim, agora, pode ter certeza que no final todos terminaram feitos de um mesmo tipo de material. Sem um pingo de ingênuidade. Nesse longo percurso de nossas vidas existem muitas pedras, mas há uma vastidão de bruma. Desvie das pedras e coma toda a bruma possível. Canções, uma vasta onda de sentimentalismo e uma carteira de cigarros. Preparei-me para toda essa madrugada até a virada, onde é na alvorada deliciosa que tudo isso vai se desfragmentando aos poucos. Eu quero sugar toda a euforia de um ser em transe, numa mutação crua, e baforar tudo de um mesmo modo, jogando com força toda essa conturbação perigosa. E assim, no dia seguinte, estou um pouco mais aliviado.
É assim que vou seguindo... um palhaço das perdidas ilusões.

Faud

DestERRO!

Das sombras iluminadas pelo clarão das luzes, com a imensidão profunda, difusão de cores em preto e branco. No quarto fechado por portas que não se abrem nem com as próprias chaves, sufocada por paredes piores que a prisão, delimitada por espaços quadrados restando apenas cobertores e travesseiros molhados por dois gêneros distintos. Na janela aberta que o vento insiste em bater, decoro no céu urubus sobressaídos de mim deixando nuvens carregadas de agonias, mágoas e dúvidas. Vou me desfazendo aos poucos e chego no êxtase voltando a concha da solidão e da dor. Tanta luz em volta, sendo o seu interior opaco, morto e sólido. Vagam as almas nas sombras iluminadas de desespero esperando um dia encontrar-se com outras almas menos efêmera que esta e, acoplar-se tão intensamente pra suas espinhas penetrarem nas minhas entranhas.


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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mulher Borboleta

Sabe a sensação de tentar dar a alguém o que você viveu, e não saber a quem?
O que sei é que não quero ficar com o que vivi engasgado, e trancafiado em minha alma...
me assusta essa desorganização sem rumo, enlouquecidamente, tento abrir uma passagem em uma rocha bruta,mesmo sabendo que vou penar,mas quem é que busca e em troca não recebe sua pena? ou será que não é em busca exatamente das "penas" que sigo, respondendo isso, eu teria que fazer minha sinopse,essa que nem eu mesma sei,o que sei é que eu sou uma pergunta! Há um silêncio dentro de mim, mas felizmente eu não choro,porque quando choro me sinto consolada,como se estivesse sendo abraçada.
Eu sou uma mulher de alma profunda,tão funda que nem sei onde é o fim,que não faz poesias, ou arte, escrevo simples não enfeito,mas se descrever o que sinto,e colocar isto em linhas,escarrando a verdade nas entre-linhas de forma bruta é bonito, obrigada, eu sou uma mulher borboleta, como todas.

com carinho,
Mirella Souza.

Especialmente para Vanessa e Marcela.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo!




Lambuzo-me ao saciar-se da sua carne.

Carne esta que tem um gosto incomum.

Cada pedaço que eu degusto do seu corpo

surge um mistério alucinante envolta.

Numa lucidez de puro desejo.


Naquele mar de prazer incessante

nossos corpos se encaixam

numa perfeita simetria incontestável.

Como se aqueles corpos fossem construídos

um pro outro para o seu bel-prazer.


Na excitação do seu corpo suado

o meu, o faz sugar todo, deixando-o,

completamente improlífico.

Repondo tudo no desenlace,

e sugando-o novamente

[do mesmo modo].


Nesta oscilação aprazível dos nossos corpos

estes que já não têm mais forças,

desmaiam saciados de sua fome.

Enquanto suas almas saem destes,

Comunicando-se em uma escuridão vermelha.


o vermelho do céu

o vermelho da rosa

o vermelho do batom

o vermelho do sangue

o vermelho do pecado

o vermelho do fogo

o vermelho da paixão

o vermelho do prazer...


No final, o eco do gemido fervoroso

de suas almas satisfeitas

acordam seus corpos de uma lucidez



Vermelha.



[o rubro incita a fome do prazer]



Artista plástica: Karina Agra

mudanças!

Chegou de Paris e ninguém a viu, ficou parada na calçada esperando um táxi, passou um ônibus ela pegou, saltou mais adiante, voltou pra calçada. Até hoje não passou ninguém, ela cansou de esperar e foi andando, no meio do caminho não agüentou e voltou pra calçada, já perdeu as malas, as esperanças, o sorriso, a fé e o seu xale branco. Está na calçada sentada, em pé, em pé, sentada...
Apertou os cincos dedos e jogou-se da ponte, fazendo pontes com outros seres imaginários. A única coisa que a separa de nós são os telegramas e o mar. Pontes de hidrogênio, meia água, um terço de madeira, três quilos de concreto, milhões de litros d’água abaixo de seus pés, afogamento na certa!
Uma flor passou abstrata, onipresente, sem cheiro, sem cor, sem medo...
Um balde de água, um balde de flor. Heterogenada, minuciosamente posta no vento, no tempo...
Esses opostos não se cruzam no vento, no tempo, eles se batem, se debatem e se rebatem. Sem ocasiões, sem desilusões, sem intenções... Não responda nunca!
Adube e volte sem calçada, sem estrada, sem paradas...

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