sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ando sem criatividade até para as coisas mais patentes. Desde o dia em que partiste me deixaste mobilizada no meio de uma estrada sombria e amarga. Volto pelo caminho mais curto, aquele em que costumávamos sempre voltar. Tudo era muito elevado e encantador. Cores deslumbrantes por todos os lados. Havia sempre o menino brincando feliz com sua bola azul, com um sorriso contagiante. Do outro lado, o velhinho sempre rindo, cantando... e contando os contos mais incríveis do seu tempo. Na praçinha as moças virgens passeavam e as rosas brotavam a cada amanhecer. Percebo que tudo era apenas fruto da minha imaginação tosca. Eram utopias fascinantes.A realidade era uma outra completamente diferente. Um moleque pedindo um pedaço de pão, a moça vendendo o seu próprio corpo enquanto o velhinho dormia largado junto com os lixos.

[não existe rosas]

Sinto falta da emoção que o moço sempre me causava. Junto dela, de mãos dadas, sempre estava à criatividade. Esta que dava lugar aos sonhos e desejos.

Fazia-me desenhar um mundo do qual eu não queria ver, nem entender...

sábado, 3 de novembro de 2007

Irei deitar...

Loucura, lucidez, solidão... virão á tona.

Rasgando todo o meu corpo.

Mas ficarei.

A porta mais intransigente irá se fechar.

Esperarei que a escuridão devore todo o meu corpo

deixando a minha alma se perder noutros versos.

Toda essa nostalgia irá envolver e contagiar

meu humilde espírito que, acreditará na ilusão

de simplesmente não ser.

Até que a luz volte, a flor brote...