sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Hoje pela primeira vez, te encontrei depois de muitos anos...
O olhar era de desespero, saudade, falsidade... Não aguentei a pressão. Saí correndo por aqueles becos que nos esbarramos inúmeras vezes. Você voltou cabisbaixo, não quis nem me olhar de novo, sentia que em meu olhar não havia o mesmo brilho quando nos vimos pela última vez. Voltando pra casa vi que estava só, minha alma havia ficado sentada no banco esperando inutilmente ele voltar e ver que tudo não havia passado de um pesadelo. Mal sabe ela, débil, que aquilo era a realidade, não existia pesadelo, nem ao menos sonhos. Mas sei que ela voltará, ela pode demorar um dia, um mês, um ano... talvez nem volte. Sei apenas que isso depende mais de mim do que dela. Se eu fosse forte, pegaria ela pelas mãos e não a deixava escapar, era tão simples... Mas fui fraca, como sempre fui. A minha maior fraqueza é quando ele está por perto, me fazendo esquecer que eu tenho, que eu sou, que eu posso...


Cheguei. Fui diretamente para o meu refúgio, meu quarto, coloquei aquela linda canção que sempre me fazia lembrar você. Pronto, estava preparada. Imagens passavam lentamente, frases, desejos, carinhos... por um momento, havia sentido nesse tempo todo que estava longe de ti, algo novo, algo que nunca havia experimentado... o quanto era maravilhoso, o quanto era profundo, o quanto era intenso, o quanto era perigoso, o quanto era ousado o que eu sentia por você, de repente todo aquele amor voltou. Por um instante pensei que você ainda estava comigo, foi tão verdadeiro que me assustei. Mas de repente a realidade voltou, você já não estava aqui comigo há um ano.

Levantei e fui embora...

Fiquei feliz em saber que eu amei alguém dessa maneira, amei profundamente... dando tudo, completamente tudo de mim. Pode ser que, eu não ame desse jeito novamente, mas fico feliz por já ter amado. Ele, nunca mais eu vou ver, mas vou sempre me lembrar daquele amor absurdo.
Pode ser que, eu esteja definindo o amor errado, trocando os papéis... pode ter sido paixão. Enfim, pra mim aquilo se definiu a uma coisa só...

Adeus!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Suspire os mais belos e puro desejos, desse que apenas dorme profundamente.

O ar aquecido te envolve fazendo com que percebas que estás carregando consigo um cristal. Esse que fará você mudar o caminho de sua rota, em busca de uma aventura ousada, sem saber onde é o fim dessa longa estrada sem concreto. Esse cristal, que na verdade é um sentimento chamado amor, é o mais lindo e frágil. Não corra contra o tempo, deixe apenas que a calmaria possuía tua alma para que ela aproveite cada segundo desse sentimento, que simplesmente da à cor e o brilho que faltava no preto e branco, deixando a vida mais bonita. Sinto medo e frio. Medo por saber que um dia, talvez, aquele que dorme não seja mais meu. Ora, ele não é meu, ele é dele. Mas o medo que sinto é de perder o coração, o sentimento, o afeto...

E o frio, é o meu corpo que sente uma certa necessidade do calor do seu corpo para sentir-se mais seguro.

Essa é a essência do amor. Ele andou me visitando e deixei que entrasse novamente na minha humilde e sensível casinha de campo. Tudo apenas começou com um simples suspiro perdido naquela noite...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

fragmentos

Aquela foi a pedra mais pesada que, havia em meu caminho.

Sou agora tão leve e tão menor na imensidão do mar de cor azul.

Numa carta de amor, te mando apenas o afã do líquido.

O irreal virou tão real que me realizou profundamente com doces tristezas.

A cavalaria que tu combatias passou por cima da linda rosa vermelha que me deste.

Àquela que eu cuidava com todo o meu afago.

O rabisco é o certo.

Encontrei a outra face escondida numa linda caixa coberta de seda branca.

A face que eu carregava durante algum tempo sorria belas mentiras.

Unindo-as não existia uma única verdade.

Atirei-a longe que não conseguia enxergar minhas mãos trémulas.

A linda borboleta desiludida voou para uma viagem sem volta...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Esse pulsaste já não me pertencia,
assim como você.
A limpidez chegou de surpresa
e você foi sem se despedir.
Pra quê queres a minha rosa sensível
se não cuidarás bem dela, aliás,
as rosas murcham meu bem...
Vá embora, não precisa mais sorrir
com esse semblante de bom moço
na idade do beija-flor.
Leve apenas o falso desejo miúdo
que jogaste em meu jardim.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007



Hoje o dia amanheceu claro

como os olhos de um recém-nascido,

uma ingenuidade transparente

como um lago nunca tocado por mãos sórdidas.

O mal já estava a mil milhas do cantinho que me protegia,

escuto somente o som de um pássaro feliz

libertado por sentimentos inferiores

que da sua vida faz apenas melodias puras.

Fechando os olhos me sentir em outra dimensão

uma dimensão que eu consegui alcançar a beleza da natureza suave

da qual a liberdade não tinha nem nome.

De longe escutei uma gargalhada de uma criança,

a batucada do samba,

o silêncio da solidão.

Sensações agradáveis que me fez voar mais alto

e tocar a nuvem que me possuía lentamente

com seu doce cheiro de paz,

uma paz que eu nunca havia sentido antes.

Desço, desço, desço...

A realidade é tão parecida,

apenas me dei conta que eu posso.

Tudo agora é calmaria,

meu espírito me abraçou forte e seguimos adiante...

A felicidade agora é constante e não oscilante.

Tão constante quanto às ondas do mar que o vento traz.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Destapando

Eu ainda não sei bem quem sou
a vida vai me lapidando constantemente
portanto não tenho a certeza de quem eu seja
aliás, eu não tenho certeza de nada
a vida é um balde cheio de incertezas


Esse negócio é mesmo complicado
Mas venho tentando desvendar esse mistério
Tenho sede de saber quem é esse eu (alma)
que vive escondido dentro de mim (corpo)
para um dia entrarmos em uma incessante harmonia


Às vezes me perco
às vezes me acho
e quando me acho quero me perder novamente


E assim vou seguindo...
E, um dia estancarei
e quem sabe nessa ''estancada'' da vida
eu consiga me alcançar...