domingo, 31 de agosto de 2008

foda-se!

Não sinto mais o paladar da alegria, vou mastigando a dor deixando as migalhas me consumirem a cada grão que provo, o seu gosto me domina e eu como todos os dias desse prato que me vicia.
Provo de outros sabores que não são iguais aos seus, engôou facilmente deles, deixando o gosto teu que eu carrego em mim. Vários os sabores que vou provando tentando encontrar um que tenha o seu gosto de avelã com mel, seu gosto arde de tão doce que é não me lambuzo mais nele, mas o sinto em meu paladar, deixo que ele transforme tudo isso em dor, solidão. Ativo os sentidos na minha mente e minto pra mim, recusando aceitar esse amargo desejo que você me deixou, me devoro totalmente fazendo dessa dor meu aposento estável. Mordo meu corpo que ainda pesado teima em existir. Não era pra eu sentir tudo isso, deveria dominá-lo como você me dominou e hoje tenho fome por esse domínio. Fico esperando que esse excesso acabe, pra que eu pare de mim comer pro dentro, estragando essa comida que não me encheu completamente o estômago, ao te ver me babo toda com o prazer do olhar. Você não me deixa saciar essa fome, me deixando vazia seca e sem forças. Ao invés disso bebo e bebo pra que eu preencha esse bolo de tristeza, feito há muito tempo. Já perdi a noção desse tempo que ainda dura mais que a eternidade. Te desenho na mesa de um bar lembrando de teu corpo despido por toalhas de linho, admiro essas curvas delineadas a dedo torto, como se ele já estivesse sido feito pro pecado. Cada copo que tomo, bebo dessa saudade que enche bexiga, mas o que deveria ser preenchido não é, apenas me embriago apenas me embriago. Vou me viciando no álcool e em você, sem comer o teu sorriso e teus lábios e vou passando despercebida por tudo, por todos e por você. Costuro a linha lateral do meu corpo pra que ninguém perceba essa fome de dor e por dentro faço que a dor dance sem tocar a tua música, tapando os ouvidos pras melodias que vão chegando, só querendo a tua música.
Vomito quando escuto o que não quero, forço o vômito por não te escutar me chamando e volto à fome que sinto em te ter.


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