sexta-feira, 15 de agosto de 2008

olhos negros

Dois olhos negros tão claros e expressivos quanto à lua, que em uma noite azeda me apareceram, do nada, deixando a minha noite tão doce que amargava. Em meio a uma vastidão de olhos, o seu era diferente, existia um brilho ressacado. Sugava-me cada vez para mais perto deles. O seu cheiro era místico e ao mesmo tempo absorvente. Não sei explicar bem o que foi aquela noite. Tenho tentado encontrar-te por aí. Inspiro cuidadosamente todos os perfumes, mas nunca encontro àquele que um dia me fez desandar e trilhar um caminho seduzido. Sinto que estás tão longe e ao mesmo tempo tão dentro de mim. Essa sua voz aguda que excita o meu paladar, ainda soa no vento como se você estivesse ali do meu lado, sussurrando baixinho. Uma ausência desse jeito só me resta o lamento, o cigarro, uma folha de papel, uma caneta e alguma bebida que me deixe na mais completa embriaguez. Vago nos bares da cidade me embriagando no copo da tristeza em busca dos seus lindos olhos negros.

Um comentário:

Geórgia Carvalho disse...

ahazou no texto.
adorei.