sábado, 2 de agosto de 2008

Um palhaço das perdidas ilusões

Sou um artista. Bem dizer, sou um palhaço!
Faço a apresenteção na hora do espetáculo fazendo com que todos riam e esqueçam suas angustias, outros, simplesmente as deixam lá. Depois que tudo termina, fico catando as migalhas para reconstruir a minha felicidade que ficou esquecida no palco incandescente das ilusões. Onde lá, no palco, eu fui o protagonista contagiante. Hoje, sou platéia sofrida. Assisto de longe ao grande show, numa escuridão interminável. Da minha bancada eu vejo meio embaçado uma realidade conformada, sem esperança, sem sonhos. A hipocrisia estampada, a miséria de mãos dadas com a futilidade, e o amor perdendo sua essência... e assim, todos vão seguindo como se estivesse tudo certo, tudo puro. De longe vejo um grão de felicidade e um pão de tristeza envolta aquela multidão toda. Naquele palco a minha felicidade ficou esquecida, sendo assim eu aprendi a lidar com a tristeza. E na tristeza nós, seres-humanos pensantes, de alguma forma, estamos submetidos a manusear toda essa penúria. Tornando-se mais feroz, mais preparado... porém, muito malicioso. Como tem que ser nesse mundo de lobos! Se não for assim, agora, pode ter certeza que no final todos terminaram feitos de um mesmo tipo de material. Sem um pingo de ingênuidade. Nesse longo percurso de nossas vidas existem muitas pedras, mas há uma vastidão de bruma. Desvie das pedras e coma toda a bruma possível. Canções, uma vasta onda de sentimentalismo e uma carteira de cigarros. Preparei-me para toda essa madrugada até a virada, onde é na alvorada deliciosa que tudo isso vai se desfragmentando aos poucos. Eu quero sugar toda a euforia de um ser em transe, numa mutação crua, e baforar tudo de um mesmo modo, jogando com força toda essa conturbação perigosa. E assim, no dia seguinte, estou um pouco mais aliviado.
É assim que vou seguindo... um palhaço das perdidas ilusões.

Faud

Um comentário:

Dom disse...

Perfeito!!!! sublime!!!!