domingo, 28 de dezembro de 2008

desajeito...

Parei de chorar.
Parei de beber.
Só não parei de fumar.
Pra não perder o hábito.
De soltar fumaça pra dor.
Pra solidão do vazio.
No desespero da noite.

Parei de jogar.
Parei de pensar.
Só não parei de sentir.
Pra não perder o espaço.
De entrar no ser.
No querer da alma.
Sem perder a calma.

Parei de mergulhar.
Parei de me afogar.
Só não parei de nadar.
Pra não perder da correnteza.
Da maré alta.
Fazendo redemoinhos no tempo.
Ondas levando a falta.

Parei de sonhar.
Parei de rezar.
Só não parei de pecar.
Pra não perder o desejo.
A vontade que sempre dar.
E que chega a passar.
Deixando buracos sem ar.

Parei de gritar.
Parei de murmurar.
Só não parei de falar.
Pra não perder o dom.
Resistindo a metáfora.
Decifrando pensamentos.
Dito com o passar do tempo.

Parei de facilitar.
Parei de sorrir.
Só não parei de abrir.
Pra não perder o espaço de bolhas ao redor.
Literalmente bolhas.
Estouradas no sopro da vida.
Cheias de engano.

Não paro mais nada.
Não paro mais ninguém.
Não me paro.
E paro a dor, quando ta pra chegar!


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