sábado, 13 de setembro de 2008

so it is!

Segurada por plásticos a margem de um rio ela estava à beira de um ataque de nervos. Saiu do seu percurso diário, mudando a rota do improvável sendo estupidamente medida por conseqüências. Observava abaixo dos olhos, não erguia a cabeça nem pra olhar os pássaros, a água migrava pra um curso certo e ela completamente errada ou desencontrada, ficava a olhar esperando alguma coisa, mudança, desvio. A fundo tocava uma orquestra, ela conseguiu erguer a cabeça, pois o som a atrai nada de imperial e sim um frevo rasgado em plena manhã de uma terça-feira. Sentia o vento batendo forte parecendo incomodar-lhe, não pensava em nada, em tudo ou realmente em nada. Era tudo muito calmo a não ser pelo barulho da bendita orquestra a tocar esse frevo, em meio a tudo isso ela conseguia ser um tambor, duro por fora e oco por dentro. Olhou novamente o rio, viu algo vermelho a boiar e como tudo e todos apenas passou por ela, estava no seu marco zero tentando dar o primeiro passo, mas nada de passos, só os dos passistas dançando nas suas costas. Cansou de ficar sentada a refletir e foi andar, passou por ruas de trilhos e só, somente andava. Passando por uma igreja algo mais forte fez com que ela entrasse e ao entrar observou como sempre, na verdade ela queria um lugar pra sentar, só. Ao sentar olhou a deslumbre e cara arquitetura celestial tentando colocar sua fé a prova, sentiu certa angústia e chorou diante de Deus e seus discípulos. Duas pessoas fizeram o mesmo gesto a sua frente, ajoelharam-se e rezaram. A todo instante ela colocara sua fé a prova não sabia se ia embora ou continuava a escrever, vai vê estava esperando por algum milagre, de onde viria nem ela sabia, mas estava ali triste, calada a continuar sem pensar em nada ou em tudo já que sua mente não pára. Três homens idosos passaram por ela, qual seria a rota deles? Dois pareciam ir ao trabalho, mas trabalho? Ao notar que estava só tirou algo que nem pensava em tirar, as suas guias. Arrepiou-se toda e começou a rezar, mas ao acabar ouviu um toque, eram os tambores do maracatu a vibrar do lado de fora, a vontade de sair aumentou, pediu licença e foi procurar. No caminho se perguntava sobre a fé... Procurou e não achou. Acendeu logo um cigarro tentando jogar na fumaça essa dúvida fora e sentou-se novamente em uma praça sob o Sol em meio a uma poluição sonora, vai vê é isso de que ela gosta, poluição. Fumava e escrevia, escrevia e fumava de estômago vazio como tudo nela está.



"HTML"

sábado, 6 de setembro de 2008

Quero voar...



Voar para sentir-me mais segura
Com os ventos agressivos acariciando
meus cabelos, minhas mãos, meus olhos...
Quero o silencio do profundo adeus
perder-me no horizonte infindo

Deixem-me voar, deixem-me voar...

Preciso escutar a melodia pura dos ventos
Dançar contra ele, com ele, com as nuvens...
Como numa valsa, com a leveza de uma bruma
E que naquele ri timo fiquemos metade de uma eternidade

Deixem-me voar, deixem-me ir...

Sinto necessidade de inalar
toda a paz que existe lá no alto
Quero sentir de perto a solidão da lua
Quero respirar os ares da sensibilidade perdida
é tudo muito adverso, pérfido, embusteiro...

Deixem-me voar, deixem-me partir...

Sou um pássaro preso numa esfera
com minhas asas acorrentadas, machucando-as
Falta o ar, falta o choro, falta o riso...

Deixem-me voar, voar, voar...

Preciso me ausentar em outro planeta
onde se devaneia acordado, onde só exista a canção dos ventos,
animais, lagos, montanhas, árvores, flores...
onde a solidão exista da forma mais deleitosa

Deixem-me...

Não faço parte desse estranho astro,
sinto necessidade de uma realidade menos morta...