domingo, 30 de novembro de 2008

Uma cartinhazinha...

Quero colher com a minha mão o seu sentimento e manuseá-lo afavelmente para que o mesmo não se perca nas esquinas adversas. Tratá-lo-ei com a sensibilidade da minha alma, pondo todo o meu lirismo, fazendo-o morrer e renascer diversas vezes. Dançarei com ele levemente as mais puras melodias, fazendo-o sentir cada pulsar em meu peito radiante de tanto aprazimento. Na solidão dos nossos sentimentos misturados, eles brotam numa escuridão de puro anseio. O silêncio é a canção mais linda quando estamos juntos, pois é no silencio que nossas almas se comunicam, se entendendo da forma mais suave... e o eco das nossas respirações confundidas soam efervescentemente trincando o vidro, rachando as paredes... Quero dar-me a ti, como um instrumento do seu deleite. Trarei o brilho do nascer sol na mão para iluminar o seu caminho, como uma forma de gratidão. Na essência livre dos nossos corpos, derramarei lágrimas de satisfação para assim lavar o seu corpo, a sua alma... levando para algum lugar inexistente os males que te afligem. Pois, agora mais do que nunca, desejo a sua felicidade, desejo o seu sorriso...

sábado, 29 de novembro de 2008

Saudade dos mares


São passos largos de saudade onde os rastros não superam o tal caminho levando a solidão ao seu extremo destino. Com o mar remetendo visões do teu corpo esguio. A saudade é maré, a saudade é do mar. Anda feito brisa que com um simples sentir não se sabe a sensação, mas a sentimos onde ninguém consegui ver. São como as moléculas de areias, sendo pisadas em pleno céu aberto. Essa saudade tem nome, tem endereço e telefone. Ela não veio à toa do mar, nem virou a maré ao chegar. Mudou toda água do oceano a deixando puro, mas vazio. Das profundezas não se vê mais uma bolha de riso, as suas conchas todas fechadas a ponto de esfarelar suas pérolas, as ondas secam suas espumas aos pés de lágrimas e o vento não faz passar a saudade... Ultrapassando o limite do horizonte tentando seus olhos salgados côncavos do mar, na contravenção da solidão e do pacífico, arranhando os olhos esfregados pela areia maciça do amor naufragado. A saudade vai embora com os barquinhos enquanto outros ancoram nesse mar morto, ressacado pelo balanço das águas inquietas do engano, velejando a rota dos desencontros mareados com o cheiro da pura maresia fundida.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

um, entre dois ou mais...

Envolta a tantas fisionomias estranhas, imagens tristes, numa velocidade fora do normal, o meu corpo acompanha o vento, minha alma o desalento e, o meu olhar ténue absorve a melodia do dia-a-dia, numa calmaria desigual. Meus passos escritos retalhados me levam para uma desordem, um estrangeirismo em contato com o mundo exterior. A solidão me refugia das incertezas que carrego dentro do meu íntimo. No silêncio misterioso da minha alma, consigo entender o não saber dos enigmas da vida. Ou pelo menos crio, costuro e a verdade, a minha verdade, me sacia. Longe dos meus olhos inexiste qualquer imagem em mim refletida. Numa dessas paradas de descanso me deparo com malas imundas, bagagens cheias e o descontentamento de passageiros que perderam de vez a sua viagem à ilusão do encantamento. Jogo-me ao mar, lanço-me na alegria existente nas profundezas, nos sorrisos bobos dos ingênuos, na embriaguez dos cachaceiros. Meu barco consegue atravessar todo o horizonte que o meu olhar apurou num disparo de segundos. E lá, estou eu, como um bebê que acaba de sair do ventre da sua mãe.

domingo, 9 de novembro de 2008

corpos suícidas!

Os dois lados da lâmina estavam afiados à minha frente
À luz refratada pelo sol ofuscava meus olhos cheios de lágrimas com gosto de sal.
O desespero foi tomando conta de pensamentos desafinados,
logo me tomei por aquele objeto cortante...

meu peito sangrava incessantemente e a dor aumentava a cada gargalhada, risos,
risos soltos, soltos que escapava da face oculta em meio a pingos de sal e dentes.
o objeto ainda no chão reluzia um ambiente mofado, opaco e oco. os dedos começaram a esticar-se acompanhando o movimento brusco do impulso, unindo o aço a carne.
com as mãos trêmulas escorregando entre o bem e o mal...


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