quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!


- Clarice Lispector

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Gosto de sentir a tua pele afagando a minha,
como se, quando, o meu corpo estivesse sendo desvirginado,
na explosão do puro desejo infame,

saboreio pedaço por pedaço do seu corpo macio...
vestindo, assim, todo o meu corpo da natureza do seu carinho
que delicia o mesmo, fazendo-o alcançar o ponto mais
alto de todos o altos que não se alcançam...

numa cegueira informal de desejo do seu corpo,
vou retalhando o nosso sentimento
caídos no chão doente de tanto amor,
minha alma desesperada recolhe nas mãos
e repõe no corpo uma outra vez, costurando
retalhos e detalhes no nosso corpo...

meu corpo exorcizado, do sentir que se sente sem sentir,
transfere essa profundeza para o seu corpo
beijando incessantemente suas mãos,
tocando calmamente os seus pelos, alisando sua pele,
absorvendo o brilho dos seus olhos, comendo da sua carne,

E nessa presença do seu cheiro, do seu gosto,
da sua voz, é como se um vento silencioso
sussurrasse baixinho ao pé do ouvido palavras de paz.

Ausência

Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


- Vinícius de Moraes

domingo, 28 de dezembro de 2008

desajeito...

Parei de chorar.
Parei de beber.
Só não parei de fumar.
Pra não perder o hábito.
De soltar fumaça pra dor.
Pra solidão do vazio.
No desespero da noite.

Parei de jogar.
Parei de pensar.
Só não parei de sentir.
Pra não perder o espaço.
De entrar no ser.
No querer da alma.
Sem perder a calma.

Parei de mergulhar.
Parei de me afogar.
Só não parei de nadar.
Pra não perder da correnteza.
Da maré alta.
Fazendo redemoinhos no tempo.
Ondas levando a falta.

Parei de sonhar.
Parei de rezar.
Só não parei de pecar.
Pra não perder o desejo.
A vontade que sempre dar.
E que chega a passar.
Deixando buracos sem ar.

Parei de gritar.
Parei de murmurar.
Só não parei de falar.
Pra não perder o dom.
Resistindo a metáfora.
Decifrando pensamentos.
Dito com o passar do tempo.

Parei de facilitar.
Parei de sorrir.
Só não parei de abrir.
Pra não perder o espaço de bolhas ao redor.
Literalmente bolhas.
Estouradas no sopro da vida.
Cheias de engano.

Não paro mais nada.
Não paro mais ninguém.
Não me paro.
E paro a dor, quando ta pra chegar!


"HTML"

sábado, 27 de dezembro de 2008

..



É de lágrima
Que faço o mar pra navegar
Vamo lá!
Eu não vi, não, final
Sei que o daqui
Teimou de vir, tenaz assim
Feito passarim

É de mágica
Que eu dobro a vida em flor
Assim!
E ao senhor de iludir
Manda avisar, que esse daqui
Tem muito mais amor pra dar


-Marcelo Camelo

O amor é nesse momento chuva
Vento vira apenas desalento
Brilhando a cem metros de mim
As luzes se escondendo no breu
O vazio se torna estável
E a passagem eterna
São gotas de desamor
Se espalhando entre meus olhos
Já molhados pela dor
Não consigo guardar a chuva
Momentaneamente não guardo o amor
Deixo que a levem daqui
Secando lágrimas com sopros...


"HTML"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Dias i-números dias

E cafés e nada. A noite começa sem que se perceba, ele tenta varar a madrugada, nada além dele respira esse pó de agonia. Trê3s cigarros impotentes e nada, a fumaça inicia a madrugada já esperada, ele despeja desespero nas horas. U1ma caneta e u1m papel com tudo que existe nessa máquina cerebral, são as idéias do amanhecer que faz ele desencadear da solidão ausente de u1m quarto ¼ de sofrimento singular que é dele, tudo isso é dele, vazio supérfluo e imerso.



“HTML”


...Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

- Vinícius de Moraes

Preciso demais... preciso de mais um pouco!

Preciso de mais emoções, preciso de mais amor, preciso de mais dor, preciso de mais alegria, preciso de mais tristeza, preciso de mais solidão, preciso de mais compaixão,
preciso de mais viver, preciso de mais dançar, preciso de mais prazer, preciso de mais descaramento, preciso de mais medo, preciso de mais desejo, preciso de mais anseio...

preciso demais acompanhar o ritmo da evolução humana, preciso demais caminhar sem os meus próprios pés, preciso demais das loucuras que não se temem o grande perigo da existência humana, preciso demais das saudades saciadas nos dias de sol, preciso demais dos ventos que sopram minha pele, preciso demais da natureza que sempre embeleza os meus caminhos, preciso demais dos choros sinceros, preciso demais dos sorrisos bobos, preciso demais das verdades verdadeiras que já não se encontram mais, preciso demais ser carregada nos braços pela beleza da vida...

tendo de mais tudo aquilo que me deixa grata, serei feliz demais...

domingo, 21 de dezembro de 2008

.


(...) Bem, como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar

poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
e é tudo que vale a pena

- Marcelo Camelo


Ao passo que passo
Eu vou seguindo caminhos
Distantes de mim, enfim...

"HTML"

sábado, 13 de dezembro de 2008



Naquela noite escrevi nos seus olhos frases adubadas de palavras de mel... Seu olhar me olhava tão penetrante que a minha alma chegava a se envergonhar. O tempo foge de nós dois, ele se esvai perdido no vento zombando de nossa ingenuidade. O tempo ali não para, mas nossas almas param por toda uma eternidade. Quero plantar o nosso sentimento em um só lugar, cultivando-os da forma mais suave e delicada do mundo. Depositando todo o meu afeto, todo o meu carinho, todo o meu amor... Até formar um lindo jardim nunca visto, com flores brotando pétalas de pureza, a nata exalando o perfume de essência do amor eterno, afolhando um brilho maternal iluminando assim, todo o chão verde da nossa moradia. Passando a existir a olho nu a emoção de dois corações arranjados. O céu azul, o sol amarelado, os pássaros transparentes cantarolando, tudo isso, e tudo que houver ao redor do nosso jardim, eu irei pintar com tinta de compaixão.

sábado, 6 de dezembro de 2008

os dois extremos palavra de rosnei amor


O amor de tudo estima como fonte de água límpida em meio a um devastado deserto;
O amor acumula reservas de cristais caídos do céu vindos do oceano;
O amor é concha aberta entre pernas e brancos lençóis vermelhos;
O amor fareja até inalar um sabor doce de mel com aveia numa manhã de domingo sereno;
O amor é plural, indivisível par, superior ao resto do produto;
O amor corta as frases, gagueja pra que sejam medidas em pesos;
O amor dissolvi as placas de ferro titânico embutido no mais pesado bloco de veias pulsantes;
O amor faz escalas em degraus profundos e pisoteados, moldados;
O amor circula entre vasos, veias de sangue feito o vermelho, amor;
O amor é apnéia fluente no gás de oxigênio insuficiente;
O amor vira uma gostosa armadilha perigosa impossível de ser deixada;
O amor faz do tempo personagem oculto da cena onde a protagonista se inverte;
O amor persiste em faltar ar nos olhos de quem ama;
O amor deslumbra-se no afogamento terreno com as narinas abertas;
O meu amor por você desata olhos, línguas e faces que venham de malefícios;
O meu amor por você não precisa de espelhos pra ser visto;
O meu amor por você não precisa de bússolas pra ser orientado;
O meu amor por você não precisa de balanças pra ser medido;
E nem mesmo de precisão pra ser exato;
Ele, o meu amor, apenas necessita de você pra sobreviver!


"HTML"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Fez-se amor dentro de mim...


Tu és a manhã de sol ofuscando o próprio feixe de luz refletida em meu corpo. Tu és o sereno da noite que chega mansinho acariciando minha alma. Meus olhinhos ao encontro dos teus, refletem o brilho lunar, deixando rastros luminosos por onde passo. Suas mãos macias tão quentes asseguram meu corpo de qualquer mal existente. Beijar-te é ir além do próprio além. Beijar-te é sentir o vento agressivo acariciando minha pele.
Beijar-te é voar, é liberdade... Quero contigo destrinchar os segredos da felicidade eterna. Sonhar contigo é quando como meu corpo está completamente imerso nas profundezas do oceano, onde a paz se faz plantada na areia molhada. O calor do seu corpo é um refugio das incertezas da vida. Juntos, não somos constituídos de matéria, apenas a alma ali se faz presente.

Quero nascer para cuidar-te
Quero morrer para sentir-te
Quero viver para amar-te

‘’Somos a semente da esperança dos amores verdadeiros. ’’