sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um sonho perdido...

Meu corpo que há tempos atrás de cada nota surgida dos acordes de mel saltava delirante por entre nuvens brancas, tão branca que seu cheiro exalava um aroma de paz. Perde-se, hoje, no soar de cada melodia estendida. Suas asas estão submersas em algum lugar do espaço. As cinzas espalhadas alimentam a (des) esperança de um dia o amor ser o senhor do universo, não mais havendo casulo entre a lâmina que o separa da vida real. -A promessa esvai-se juntamente com o vento que o trouxe.
Na calmaria do corpo consagrado e consolado pela vida que o cerca, come o aroma aderente dos panos marcado e que fez, um dia, a parte de uma ilusão afobada. Mastiga grão por grão, desfazendo-se assim, da fantasia (muito) malfeita. O gosto da lembrança o faz sentir muito maior que qualquer ser, capaz de se entregar (uma outra vez) ao amor, renunciando tudo. Numa afoiteza invejosa, muitas vezes esquecida.
O caminho coalhado de pétalas frescas soa o perfume carnal, do sangue, do pecado, do desejo. O desespero de sentir um gosto novo, esperançosos de a aspiração ser eterna, fez com que caíssem defronte em um buraco raso, quebrando o frágil e fino vidro construído a par.
Sustentando com os dedos o meu coração, um amor (verdadeiro) faz-me celebrar com os deuses donos do sol, da lua, do mar, e toda a natureza que nos acompanha, numa valsa sublime, a esperança de um sonho renascer num corpo uma outra vez.
O sonho do amor, fraterno
eterno.

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