sábado, 31 de outubro de 2009

Como uma teia entrelaçando e sufocando os pulmões, vem o amor com seu veneno pingando nas suas patas, feito uma aranha que ergue seus pêlos quando vê sua vítima aproximar, querendo achar mais um para o seu deleito. No absoluto desfeche te castiga até a alma, num pequeno lugar de espaço de enxofre. A cada teia feita nasce o desejo repentino, ela sacia a presa como se fosse à última sensação sentida e olha pra ela como se nada acontecesse antes de matá-la. Com patas duras e afiadas prontas para uma chacina ela gruda, agarra e te deixa sem ar, depois ela morre com o próprio veneno, deixando litros e litros pra quem quiser.





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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Intensidade de rochas
Pedras subcolocadas a dedos
Montanhas de luz infinda
Bipolarização do ser
Fuga incessante do mundo
Interior repleto de amor
Unificação da carne
Querendo acoplar-se
Pecado igualitário
Mumificação de sentimentos
Registros do novo
Morrendo de coração
Sufocando as veias
Dilatação de sentidos
Descontrole visto a olho nu
Parada cardíaca.




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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Colisão

Braços e mentes juntos em uma única união docente. Apegos, afagos passados do tato ao sentimento, desenhados por apenas alguns dedos tocados. Na frieza do calor ao passo que passa por transmutações de afeto, rasgando o que fora costurado por questões de segundos e penetrando veia adentro dos poros que restam. A cada pigmento congelado onde nem o clarão do céu o derrete ver-se que suas partículas não detêm nenhum átomo de sentimento. Ligando a dor com o sofrimento, catalisando somente uma solidão finita, a ponto de um dia inexistir, começando outro ciclo de medo e paixão no coração do ser inativo.




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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Afrouxam-se os laços
Respiram-se os nós
Sufoca-se a matéria
Desmembrem as partículas
Equalizam-se as esferas
Regulagem de buzinas
Apertam-se os vidros
Abrem-se as narinas
Tapam os ouvidos.


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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Flores no teto decoram o meu dia, sinto não existir por apenas alguns instantes. Observo a delicadeza de cada pétala pré-existente do seu leito. O aroma hipnotiza meu olhar como se ele a cheirasse. Sumo feito um toque de mágica e meus sentidos desaparecem. Flutuo feito um pássaro perseguindo no ar o cheiro do prazer. Vazante asas frias com o céu, aterrisou em uma haste dura e frígida, eferma. Tento moldá-la com o tempo e vejo que apenas perdi um pouco do tempo de minha vida. Sinto olhares e começo a cheirar o aroma saindo dos teus olhos firmes e incertos do que vêm. Interrompo o momento com um deslize do vento de tão azul e tão puro. Você.



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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Exacerbações de sentimentos
Afagos de pele
Funcionais ao extremo
Pontes de afeto
Marcas sem vestígios
Emoções momentâneas
Complexo de desejo
Mistura de carinho e solidão.



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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

É o mal que corrói em dias de festas, deixando em pedaços as lembranças vindas com o passar do tempo, dizendo que está ali pra qualquer momento de pecado e pecando junto com cada animal, ileso a qualquer tipo de dor. Momentos baseados no prazer, desfrutando-se da carne alheia e prossegue como um ritual, satisfazendo-se do corpo, sendo objeto do gozo interior, e que ao notar degusta sem nenhum esforço, deitando-se em lençóis vermelhos, não de sangue, mas de batom. São raspas deixadas na cama imune a volta, cada dia sendo um ser diverso e continuando a pecar com todo mal existente feito de razão.



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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Penso não falo
Sinto não ajo
Escondo e encubro
Disfarço e camuflo
Não tenho e não posso
Não faço e não calo
Sobrevivo e sobressaiu
Enfim.


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Amores e Cores

Aí vem a mulata com sua saia bordada, que ela borda de dor, como quem perdeu um grande amor. Ela requebra sem dó nem piedade para que ele veja o que perdeu. Vestindo sua fantasia, encobrindo seu carnaval. Enche a cara de cachaça a cada esquina que passa, lembrando a dor de amar, sentindo o gosto amargo do desprezo no seu negro sangue, o mulato chora.


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sábado, 3 de outubro de 2009

Quero a paz dos loucos
A segurança de poucos
A certeza de viver solto
E soltar do topo
Lá embaixo despencar
Com asas a voar
Substâncias suspensas no ar
Mixagem a contornar meu corpo
Leveza de chumbo, poeira.
Aterriso no asfalto
Paro de respirar.


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